domingo, 30 de julho de 2017

Portugal - Hiking Guincho/Praia da Grota - July 2017

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O meu irmão, a minha cunhada e os meus sobrinhos regressaram à Colômbia esta 6ª feira. 
Durante 1 mês e meio estive com eles de uma forma intensa, praticamente diária, muito preocupada em usufruir da sua presença que, em regra geral, ocorre anualmente. 

Não fiquei fechada propriamente em casa. Fui e acompanhei-os a diferentes festas e encontros familiares, tanto do lado materno como paterno, em lugares, também eles, de família. 


É como se a minha vida neste período fosse uma viagem de comboio, que se desenrola a dois ritmos, o de dentro da carruagem e o da percepção da velocidade de quando olhamos pela janela. 

Isto para mim não é de menor importância. De volta e meia falo do tempo porque na verdade afecta a minha forma de viver e ontem acho que tive a clarividência de perceber porquê.

O prazer em querer estar com eles é afectado pelo facto de saber que se vão embora em pouco tempo. Passo da vivência do prazer à ânsia. Nesta mudança entro num estado mais ou menos sôfrego, antecipando a inevitável separação. Perco a consciência do que se passa e do que quero ou me apetece. A preocupação parece ficar reduzida ao querer estar com eles, oscilando entre uma espiral de sentimentos e pensamentos nem sempre concordantes. Nesta redução de consciência do que quero ou me apetece deixo de estar no “agora”. Penso demasiado, sinto com intensidade, mas não estou.

Não pode ser por acaso que guardo com especial prazer o meu último dia com eles na praia, até às 22h30, a pescar. Entre jogos de desenhos na areia e a atenção à ponteira das canas, o sol pôs-se, oferecendo uma paleta de cores magnífica, sobre um mar fustigado pelas rajadas de vento e o som do quebrar das ondas. 
Foi até à última, a acompanhar a pesca de 5 peixes, que acabaram a ser comidos já só por mim e pelo meu irmão. Pouca conversa e tanta tranquilidade…

Friday quando os deixei no aeroporto, saí de lá chorosa, com um sentimento de vazio e tristeza. Conheço-me o suficiente para saber que as separações não são fáceis por isso decidi combinar fazer uma caminhada com a minha amiga americana Kasey.
Fui ter com ela depois do almoço, num dia quente em todo lado menos em Sintra. Comecei a subir da Malveira da Serra em direcção à Ulgueira, e só faltava chover. Céu escuro, nuvens e frio… absolutamente impressionante a diferença de temperatura!


Fizemos uma mudança de planos e optámos por fazer uma caminhada linda, entre o Guincho e a Praia da Grota. Sol firme e uma temperatura agradável apesar do vento forte, foram as condições que nos acompanharam ao longo do passeio pela arriba. 
A paisagem pareceu-nos uma instalação de arte. Plantas costeiras e arbustos (como o zimbro), repletos de bagas, pintalgados de pedaços de madeira queimada, aparentemente espalhados de forma cuidadosa. Mais tarde avistámos pinheiro bravo mais rasteiro e algum dele totalmente queimado pelo sol. Provavelmente era daqui que vinha a madeira que anteriormente tínhamos visto, dispersa pelo vento.
Terminámos o dia a jantar uma refeição vegetariana deliciosa, colorida, numa descoberta de sabores e texturas a que não estou acostumada. Tão bom!

É verdade, tenho procurado perceber o que é que me ajuda a estar consciente, presente. Claramente a pesca, as caminhadas ou as viagens são para mim formas de o conseguir fazer. Não são fugas. São estratégias de procura de um encontro comigo própria, com a vida e, por consequência, com os outros. 

English version

My brother, my sister-in-law, niece and nephew returned to Colombia this Friday. For one month and a half I was with them in an intense way, almost daily, very worried about enjoying their presence, which I’m only in once a year.

I was not closed at home. I went and accompanied them to different parties and family gatherings, both on the maternal and paternal side, in places also connected with  family.

It was as if my life in this period was a train journey that unfolded in two rhythms: the one inside the carriage and the perception of the speed when we look out the window.

This for me is not of minor importance. Occasionally I talk about time because it really affects the way I live my life and yesterday I think I had the insight to understand why.


The pleasure of wanting to be with them (my brother and family) is affected by the fact that I know they are leaving in a short time. I step from experiencing pleasure to craving. In this change I enter into a more or less avid state, anticipating the inevitable separation. I lose consciousness of what is going on and what I want or wish. The concern seems to be reduced to wanting to be with them, wavering between a spiral of feelings and thoughts that are not always concordant. In this reduction of consciousness of what I want, I cease to be in the "now". I think too much, I feel intensely, but I'm not there.

It wasn't by chance that I stayed with them with immense pleasure on the beach until 10:30 p.m. fishing on their last night. Between sets of drawings in the sand and the attending to the tips of the fishing rods, the sunset offered a magnificent color palette over a sea whipped by the gusts of wind and the sound of the breaking of the waves.

I was there until the end, to accompany the catch of five fish, which were eaten by just my brother and me. Little talk and so much peace…

Friday when I left them at the airport, I left there weeping with a feeling of emptiness and sadness. I know enough to know that goodbyes are not easy for me so I decided to go for a hike with my American friend, Kasey.

I went to meet her after lunch, on a hot day everywhere except in Sintra. I started to climb up from Malveira da Serra toward Ulgueira. Dark sky, clouds and cold... the temperature difference was absolutely incredible!


We made a change of plans and opted to take a beautiful walk between Guincho and Praia da Grota. Despite the strong wind, we had strong sun and a pleasant temperature along our hike. The landscape seemed to us an installation of art. Coastal plants and shrubs (like juniper), brimming with berries, scattered pieces of burnt wood, seemingly positioned carefully. Later we caught sight of a massive dried out pine tree, some of it totally burned by the sun. It was probably from here that other wood we had seen came from, scattered by the wind.
 We finished the day with a delicious dinner, a colorful vegetarian meal that was a discovery of tastes and textures that I am not used to. So good!

It is true, I have sought to understand what it is that helps me to be aware, present. Clearly, fishing, hiking or traveling are all ways that allow me to do it. There are no escapes. They are strategies for seeking an encounter with myself, with life and, consequently, with others (reviewed by Kasey Kinsella).

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