quinta-feira, 22 de junho de 2017

Portugal - Verão por cá / Summer time - Jun 2017

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Adoro viajar! Faço-o sempre que posso. Quando o faço, conheço novas pessoas, novos sítios, novas culturas, novos projetos… aprendo imenso! Sobre mim e sobre o mundo.
Há no entanto uma altura do ano que invariavelmente estou por Portugal e essa altura chegou.
Isto acontece por diversas razões.

E é aqui que eu bloqueio…
Quero dizer que Portugal é um país lindo. Se quero praias paradisíacas, passeios bucólicos, cidades históricas, festas, animação e bom tempo, é aqui…
E escrevo “bom tempo” e automaticamente sinto um aperto no estômago, como se estivesse a escrever uma incongruência, algo errado. Não consigo avançar. Não adianta.

Não tem a ver com o que possam pensar, tem a ver comigo. De repente apercebo-me que os incêndios que lavram este país e a desgraça que aconteceu esta semana teve um impacto em mim muito maior do que eu estava à espera.
Não conhecia directamente ninguém que tivesse falecido ou ficado sem os seus pertences e ainda assim dou por mim sistematicamente a emocionar-me quando me vem este assunto à cabeça.
Deixei de ver os telejornais. Enervam-me. Sou invadida por uma angústia, acompanhada de um sentimento de impotência e revolta, contra tudo e contra todos.

Tento seguir com a vida como habitualmente, como se não se tivesse passado nada.
E o pior é que é como se não fizesse sentido ser de outra maneira. Um absurdo!
E é então que regresso às minhas razões… ao que me faz prosseguir a minha vida e me prende aqui nesta altura do ano.

O meu irmão mais velho, que eu adoro, é casado com uma colombiana extraordinária, de personalidade forte, e tem dois filhos, lindos de morrer! Eles vivem em Bogotá e vêm a Portugal todos os anos por esta altura. É verdade, eu tenho família colombiana 😊

Estou com eles 1 mês e meio por ano.
A metáfora que me vem à cabeça (já referida a algumas pessoas) é que eles são para mim como chocolate.
Quem me conhece sabe que eu adoro chocolate. Julgo que não estarei a exagerar muito se disser que tenho uma adição. Quando viajo, levo sempre um ou dois comigo, só por via das dúvidas…
Pois imaginem que gostam de chocolate como eu e que só podem comer 1 mês e meio por ano!


Ao princípio “como” sofregamente, como se não houvesse amanhã, depois normalizo e até começo a “enjoar”. Mas sabendo que é só aquele período, então “como” mais um bocadinho… É que depois vêm os outros 10 meses e meio em que não se vai comer nem um quadradinho!

Dou por mim a estar com eles todos os dias, a tentar aproveitar tudo, ao princípio um pouco sofregamente. Quero beijos e abraços, fotos, o que der!
Ontem tive o bónus da Madalena (a minha afilhada mais velha, filha da minha irmã, a quem tenho um amor muito especial) e foi tão bom!

É…Esta altura do ano estou de "Tia". Vai ser assim até ao fim de Julho. Apesar de adorar e de às vezes me apetecer imenso, não há viagem que me tire daqui. Tenho razões fortíssimas para isso!


English version

I love travelling! I do it whenever I can. When I travel, I meet new people, new places, new cultures, new projects ... I learn a lot! About me and the world.
There is however a time of the year that invariably I am in Portugal and that time has arrived.
This happens for several reasons.

And here is where I get stuck ...
I want to say that Portugal is a beautiful country. If you want paradisiacal beaches, bucolic walks, historical cities, festivals, animation and good weather, it is here ...
And I write "good weather" and automatically feel a tightness in the stomach, as if I’m writing an incongruence, something wrong. I can not move forward. It's hopeless.

It's not about what you think, it’s about how I feel. Suddenly I realize that the fires that plough away this country and the disgrace that happened this week had an impact on me much greater than I was expecting.
I did not know anyone who had passed away or lost their belongings, and yet I systematically find myself emotional when this comes to my head.
I stopped watching the news. They vex me. I am invaded by anguish, accompanied by a feeling of powerlessness and revolt, against everything and against all.

I try to go on with life as usual, as if nothing had happened.
And the worst of it is that it's as if it does not make sense to be otherwise. It's absurd!
And then I return to my reasons ... to what makes me go on with my life and arrest me here at this time of year?

My older brother, whom I love, is married to an extraordinary Colombian lady, with a strong personality, and has two gorgeous children. They live in Bogota and come to Portugal every year at this time. It's true, I have Colombian family 😊

I am with them for a month and a half a year.
The metaphor that comes to my mind is that they are to me like chocolate.


Those who know me know that I love chocolate. I do not think I'm exaggerating much if I say I have an addition. When I travel, I always take one or two with me, just to make sure...
Well imagine that you like chocolate like I do and that you can only eat it 1 month and a half a year!

At the beginning, I "eat" grimly, as if there were no tomorrow, then I normalize and after I can even start to "get sick." But knowing that it is only that period, then I "eat" a little more ... It is because after comes the other 10 and a half months in which it isn’t possible to eat a little square!

Eventually I’m with them every day, trying to enjoy everything, at first a little bit grimly. I want kisses and hugs, pictures, whatever!
Yesterday I had the bonus of Madalena (my oldest goddaughter, daughter of my sister, to whom I have a very special love) and it was so good!

Yes ... This time of year I'm an aunt almost full time. It will be like this until the end of July. Although I love it and sometimes I feel like it, there is no trip that gets me out of here. I have very strong reasons for that! (reviewed by Maria João Venâncio)


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