quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Peru - Lima / Fundación OLI - Sep 2017

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Cheguei a Bogotá, saída literalmente da festa de casamento do meu primo Kiko e da Francisca, um festão! O pouco que dormi foi no avião e na escala que fiz no aeroporto de Charles de Gaulle.
À chegada, fui recebida pelo o meu irmão, a minha cunhada e sobrinhos. Todos nós felizes por estarmos juntos.
Os miúdos estavam numa excitação e, apesar de estoirada, deu para brincar com uma minhoca mágica, um yoyo e fazer buscas a uma colher com orelhas de coelho que insistia em se esconder, antes de nos irmos deitar 😊 Tão bom!
A minha estadia por Bogotá foi apenas de 1 dia e pouco, e portanto estava focada em estar com eles. Terça-feira de madrugada parti do aeroporto El Dorado com destino a Lima.

Cheguei já à hora do almoço à capital do Peru e fui direta até ao animado distrito de Miraflores. É aqui que vive o Alex, o meu gentil e generoso anfitrião que, mesmo estando ausente da cidade, ofereceu a sua casa para que eu aqui ficasse. Instalei-me e fiz o reconhecimento da área (mercados, lojas, restaurantes, jardins, etc.).
Ao final da tarde conheci o Edwin, um peruano muito simpático que se disponibilizou a mostrar-me um pouco da zona centro deste distrito.
Algum tempo mais tarde fomos jantar e compreendi porque é que a comida peruana é tão famosa. Enquanto o meu mais recente amigo me dava algumas dicas verdadeiramente preciosas sobre Lima e o Peru, pedimos um ceviche misto, umas conchas a la parmesana e um causa de pulpo, acompanhados pela saborosa cerveja nacional Cusqueña. Uma delícia!


Regressei a casa cedo. Para além de muito cansada, tinha agendada uma visita à Fundación OLI na manhã seguinte.
Sedeada no distrito de San Isidro, esta organização não governamental tem por missão ajudar a criar oportunidades de melhoria nos eixos da saúde, educação, cultura e meio-ambiente, em todo país. Fá-lo através do estabelecimento de parcerias e trabalho em rede, apoiando o desenvolvimento de iniciativas e projectos socialmente responsáveis.
Fui recebida pela Diana Crousillat, coordenadora da área dos projectos sociais e relações institucionais. De forma dinâmica e afectuosa explicou-me que a fundação é uma palataforma de ajuda que funciona como broker, potenciando o envolvimento da sociedade civil e de empresas no apoio a iniciativas solidárias.
Achei particularmente interessante o facto desta organização recolher apoios que facilitem a prossecução de projectos desenvolvidos por outras entidades e simultaneamente prestando enquadramento a iniciativas com falta de contexto institucional.
Por exemplo, assim como estão presentes na recolha de apoios para comunidades afectadas por desastres naturais, também possibilitam as condições para o desenvolvimento de projectos como o dos “Corazones solidários” ou o “Ayudando, Abrigando”.

No projecto “Corazones solidários”, fornecem material a mães de crianças doentes crónicas (que não têm condições para trabalhar), para que possam fazer, com corações de pano, peças decorativas. Posteriormente, recolhem estes produtos e colocam-nos à venda, sendo 100% do valor conseguido entregue aos seus destinatários.
Já no projecto “Ayudando, Abrigando”, recolhem garrafas e outros recipientes de plástico e transformam-nos em mantas e cobertas. Estes são apenas alguns dos interessantes projectos desenvolvidos.
A sustentabilidade da Fundación OLI (www.olifoundation.org) resulta da colaboração de voluntários e de donativos de privados, sendo a sua grande maioria de particulares internacionais ou a residir fora do país. Portanto se vierem até Lima e quiserem contribuir de uma forma organizada para a sociedade peruana, fazer voluntariado aqui é uma ótima opção.
Depois de conhecer as instalações, despedi-me da Diana e fui até ao lugar arqueológico “Huallamarca”, um edifício piramidal do período do início da cultura Lima (200 a.C.). Impressionante!
Sempre a pé, visitei o Parque El Olivar, passei o Óvalo Gutierrez, atravessei o Parque Guillermo Correa Elias e fiz todo o Malecón (passeio pedestre pela arriba, sobre o mar), começando a perceber porque é que o Peru é um spot de surf com enorme reputação mundial.
Apesar do tempo cinzento, fiquei particularmente encantada com beleza da vista sobre o oceano pacífico e a doçura do Parque del Amor. Imperdível!

 English version

I arrived in Bogota, literally leaving the wedding party of my cousin Kiko and Francisca, a super party! The little I slept was on the plane and on the stopover I made at Charles de Gaulle airport.
On arrival I was greeted by my brother, my sister-in-law and nephews. We were all so happy to be together!
The kids were very excited, and despite my tiredness, I was glad to play with a magic worm, an yoyo, and search for a spoon with rabbit ears which insisted on hiding before we went to bed 😊 So good!

My stay in Bogota was only a day and a half, so I was focused on being with my brother’s family. Tuesday morning I left from El Dorado airport to Lima.

I arrived at lunch time to the capital of Peru and I went straight to the lively district of Miraflores. Here is where Alex lives, my kind and generous host. In fact, he offered me his house, even though he was absent from the city.
I set up my things and I went out for the reconnaissance of the area (markets, shops, restaurants, gardens, etc.).
At the end of the afternoon I met Edwin, a very nice Peruvian who offered to show me some of the downtown area of this district.
Some time later we went to dinner and I understood why the Peruvian food is so famous. While my most recent friend was giving me some really precious tips about Lima and Peru, we ordered a mixed ceviche, some shells to the parmesan and a causa de pulpo (octopus), accompanied by the tasty national beer Cusqueña. Delicious!
I went home early. In addition to being very tired, I had scheduled a visit to the OLI Foundation - Fundación OLI the following morning.
 
Headquartered in the district of San Isidro, this non-governmental organization has the mission to help create opportunities to improve health, education, culture and environment axes in Peru. Its mission is to support the development of socially responsible initiatives and projects by establishing partnerships and networking.

I was received by Diana Crousillat, coordinator of social projects and institutional relations.
In a dynamic and affectionate way she explained to me that the foundation is a help platform that works as a broker, enhancing the involvement of civil society and companies in supporting solidarity initiatives.

I find it particularly interesting that this organization collects support which facilitates the sustainability of projects developed by other entities and simultaneously, it provides a framework for initiatives lacking an institutional context.
For example, as they are present in the collection of support for communities affected by natural disasters, they also allow the conditions for the development of projects such as “Corazones solidários” (Solidarity Hearts) or “Ayudando, Abrigando” (Helping, Sheltering).

In the “Corazones solidários” project, they provide material to mothers of chronically ill children (who are unable to work) so that they can make decorative pieces with cloth hearts. Subsequently, collect these products and put them on sale, being 100% of the value obtained delivered to its recipients.
In the “Ayudando, Abrigando” project, they collect bottles and other plastic containers and turn them into blankets and blankets. These are just some of the interesting projects developed by them.

The sustainability of Fundación OLI (www.olifoundation.org) results from the collaboration of volunteers and donations from private individuals, most of them being international or residing outside the country. So if you come to Lima and want to contribute in an organized way to Peruvian society, to volunteer here is a great option.
After the meeting, I said goodbye to Diana and I went to the archaeological site "Huallamarca" - a pyramidal building from the beginning of the Lima culture (200 b.C.). Impressive!
Always by foot, I visited El Olivar Park, I passed Ovalo Gutierrez, I crossed Guillermo Correa Elias Park and I made the whole Malecón (pedestrian walk through the hill, over the sea). Yes, I began to understand why Peru is a surf spot with a huge worldwide reputation.
Despite the gray weather, I was particularly charmed by the beauty of the view of the Pacific Ocean and the sweetness of the Park del Amor. Unmissable! (reviewed by Jakes Lones)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Portugal - Porto Santo / 2ª parte - Sep 2017

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Porto Santo é o lugar ideal para descansar. Toda a costa Sul corresponde a uma longa praia de cerca de 9 km, de areia branca e água azul esverdeada, muito transparente. Tem por cenário o Ilhéu de Cima e o Ilhéu de Baixo (ou da Cal) e é tranquilizador, por si só, observar a paisagem.
O tempo aqui passa languidamente. 
O que acabou por acontecer comigo foi passar uma parte do dia à beira-mar (a passear, mergulhar ou a ler) e a usufruir dos serviços que o hotel oferecia. A outra parte do dia visitei pontos e lugares considerados de interesse, geralmente acompanhada pela Joana e a Beatriz e/ou a Família Carreira (a Lina, o Miguel e a Laura).


Se me perguntassem o que mais gostei em Porto Santo, não demorava 2 segundos a responder: a subida ao Pico Branco!
Combinei com a Lina, o Miguel e a Laura sairmos de manhã, pela fresquinha, para fazermos este programa. E lá fomos nós!
Situado a Este da ilha, o pico permite um dos trekkings mais bonitos de que me recordo ter feito. Absolutamente maravilhoso! 

Com uma duração aproximada de 3h, vale cada segundo despendido, sendo aconselhável fazê-lo da parte da manhã, não só para evitar o calor como para beneficiar da luz matutina.
Oferece vistas incríveis tanto para a paisagem da Serra de Dentro, desertificada e meia lunar, como para as paisagens da costa Este, de uma beleza de cortar a respiração e ainda toda a Vereda Pico Branco - Terra Chã. Deslumbrante!

Porto Santo é a mais antiga das ilhas da Macaronésia, fazendo também delas parte a Madeira, Açores, Cabo Verde e Canárias. É muito conceituada pela riqueza e diversidade das formações rochosas existentes no território. As formações geológicas são visíveis por toda a ilha, mas relativamente a este assunto é dada particular visibilidade ao Pico Ana Ferreira e aos Morenos.

Com a Joana e a Beatriz, fizemos uma tour de jeep, de que destaco o miradouro das Flores (com uma paisagem extraordinária sobre o Ilhéu da Cal e o Ilhéu do Ferro); o Pico Ana Ferreira, famoso pela sua curiosa formação rochosa, que mais parece ter sido obra de um escultor do que da natureza; os Morenos (uma escarpa extraordinária!), a visita à Quinta das Palmeiras e toda a paisagem da parte Norte da ilha (nomeadamente o Ilhéu da Fonte de Areia).

Visitámos ainda uma Casa tradicional Museu, onde pudemos ver entre outras coisas, algumas ferramentas tradicionais de cultivo e fazer uma prova do vinho de Porto Santo. Eu diria que acaba por ser um espaço onde se podem adquirir alguns dos produtos típicos da ilha com uma qualidade superior. Bolos secos e biscoitos, licores de diversos frutos, o famoso bolo do caco, o Vinho de Porto Santo, as broas de mel, entre outros.

Ao longo destes dias fomos ainda à povoação de Vila Baleira, decorada e muito mimosa, com o seu famoso pontão, as suas casinhas bem conservadas, coloridas lojas de souvenirs e pequenas tascas e restaurantes. Visitámos a Casa Museu de Cristóvão Colombo e passámos também na famosa gelataria “Lambecas".

Esta foi, verdadeiramente, uma experiência muito interessante a diferentes níveis. Permitiu-me constatar as diferenças entre viajar sozinha e acompanhada; perceber a realidade vivida por muita gente quando opta viajar em família, experimentar um conceito de turismo completamente diferente daquele a que estou acostumada e, sobretudo, conhecer a encantadora ilha de Porto Santo na companhia de uma querida, querida amiga. Tão grata, Joana! 😊

English version

Porto Santo is the ideal place to rest. The entire south coast corresponds to a long beach of about 9 km, with white sand and blue-green water, very transparent. It has as its background the Ilhéu de Cima and the Ilhéu de Baixo/Cal, and it is relaxing by itself to observe the landscape.
Time passes languidly.
While I was there, I spent a part of the day at the seaside (walking, diving, reading) enjoying the resort services on offer. Later I visited points and places considered of interest, usually accompanied by Joana and Beatriz and / or the Carreira family (Lina, Miguel and Laura).

If someone asks me what I like best in Porto Santo, I will not loose 2 seconds to answer: the trekking to Pico Branco!
With the Carreira family, we squeduled an early morning program. And so we went!
Situated at the east of the island, the peak affords one of the most beautiful trekkings I can remember. Absolutely wonderful!


With a duration of approximately 3 hours, it is worth every second spent, and it is advisable to do it in the morning, not only to avoid the heat but also to benefit from the morning light.
It offers incredible views on the Serra de Dentro, desertified and lunar-like landscapes, on the East coast, a breathtaking beauty, as well as at the entire Vereda Pico Branco - Terra Chã. Gorgeous!

Porto Santo, part of Madeira’s archipelago, is the oldest of the Macaronesian islands, also comprising Azores, Cape Verde and the Canary Islands. It is highly regarded for its richness and diversity of rock formations in the territory. The geological formations are visible all over the island, but on this subject the locals give particular enphasis at the Pico Ana Ferreira and the Morenos.

With Joana and Beatriz, we made a jeep tour, highlighting the viewpoint of Flores (with an extraordinary view on the landscape of the lhéu de Baixo/Cal and the Ilhéu do Ferro); the Pico Ana Ferreira, famous for its curious rock formations, which seem to have been the works of a sculptor, rather than of nature. Lastly we visited Morenos (an extraordinary escarpment!), Quinta das Palmeiras homestead and the whole Northen landscape, including the Ilhéu da Fonte de Areia.

We also visited a traditional house museum, where we could see some old-style farming tools, the space and get to taste Porto Santo’s wine. It turned out to be the place where to get superior quality typical products. Dried cakes and cookies, liqueurs of various fruits, the famous Bolo do Caco bread, honey buns, among others.


Throughout these days we went to the city of Vila Baleira, well decorated and very pretty, with its famous pontoon, its well-kept houses, colorful souvenir shops, small taverns and restaurants. We visited the house museum of Christopher Columbus and we also passed the famous "Lambecas” ice-cream shop.

Overall, this was truly a very interesting experience, at different levels. It allowed me to notice the differences between traveling alone and with others; to glimse at the reality lived by those choosing to travel with family, to experience a tourism concept completely different from what I am used to and, above all, to know the charming island of Porto Santo in the company of a dear, dear friend. So grateful, Joana!😊 (reviewed by MC Alfarim)


domingo, 10 de setembro de 2017

Portugal - Porto Santo /Primeiros dias - Sep 2017

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Sem saber ler nem escrever surgiu a possibilidade de ir passar uma semana a Porto Santo com a minha querida amiga Joana e a sua filha, Beatriz.
Eu sabia que seria uma viagem completamente diferente daquelas que costumo fazer. Habitualmente viajo sozinha, à aventura, não tenho muito planeado nem onde durmo nem onde como. Desta vez seriam umas férias de família, com uma criança, estando muito bem definida toda a logística por uma agência de viagens.
Foi um misto de divertida e de expectante que resolvi embarcar no programa.

Chegámos ao aeroporto mal dormidas, de madrugada. Valia-nos a Beatriz, com energia pelas três 😃 
O voo, ainda que partindo com um atraso importante, decorreu sem sobressaltos e fomos conduzidas de imediato a um grande resort.
Eu fiquei extasiada! Piscina exterior, piscina interior, thalassoterapia, ginásio, parque infantil, duas áreas de restauração, praia concessionada com um enquadramento de facto muito bonito e uma pulseirinha azul na mão direita a dar-me acesso livre a tudo. Enfim, um verdadeiro luxo!


Porto Santo é uma ilha relativamente pequena e muito bonita. É de origem vulcânica, tem cerca de 16 milhões de anos e é um paraíso acrescido para qualquer geólogo que se preze, dada a diversidade de formações rochosas.
Com cerca 5000 residentes, 11km de comprido e 6km de largura, concentra a maioria dos habitantes na sua única cidade – Vila Baleira. Ainda assim, vim a aperceber-me que, havendo meio de locomoção, oferece um conjunto extraordinário de condições, permitindo uma grande variedade de actividades.
Mas quanto a isso não faltam opções! Existem vários operadores turísticos que oferecem tours de barco, de autocarro e de jeep. Em alternativa, é possível alugar carro, carro electrico, mota, bicicleta ou mesmo charrete!

Eu tive a sorte de conhecer a Lina, o Miguel e a Laura, uma família muito simpática de Reguengo do Fetal que resolveram alugar carro e, muito generosamente, me convidaram para os acompanhar em alguns passeios pedestres.

Começámos por ir até à Ponta da Calheta, que corresponde à ponta mais a Oeste da estrada principal. Depois seguimos até à ponta contrária, onde está o porto e a central de reciclagem da água (a água de Porto Santo é 100% reciclada).
Dali fomos até ao Pico da Portela, com os seus famosos moinhos, e que oferece uma magnífica vista sobre a parte Sul da ilha e do Ilhéu de Cima. Espreitamos o Porto dos Frades e fizemos o reconhecimento da parte Norte, avistando o Pico Branco, o Pico Juliana e seguimos até onde teria início o nosso primeiro trekking – junto ao canhão do Pico do Castelo.

Este Pico é muito verde, resultado de um esforço de reflorestação que tem vindo a ser feito no território há várias décadas. Apesar de não ser o Pico mais elevado, o percurso é bastante íngreme e a subida tem os seus momentos desafiantes. Vale pela vista do topo que é de facto extraordinária. Mesmo ao lado fica o Pico Facho, o mais elevado de Porto Santo, com 484m. Há hora que nos despachámos já não nos arriscámos a subi-lo.

Mas ainda deu para irmos ao Cabeço do Zimbralinho. No seguimento de uma estrada de terra batida, e após uma descida acentuada, deparamo-nos com uma escarpa impressionante que dá lugar a uma praia de seixos lindíssima. Zimbralinho é um dos spots mais famosos para mergulho e snorkeling e vale sem dúvida alguma qualquer possível esforço que se faça para lá chegar.
Cheguei ao resort cansada mas de alma cheia. Posso garantir que não foi difícil acompanhar o ritmo da querida Beatriz e, após jantar, adormecer cedinho 😉


English version

All of a sudden the possibility arose of spending a week in Porto Santo, Madeira archipelago, with my dear friend Joana and her daughter, Beatriz. 
I knew it would be a completely different journey than what I usually do. I mostly travel alone, seeking adventure; I do not plan much, neither where I sleep nor where I eat. This time around it would be a family vacation with a child, and with well defined logistics by a travel agency. It was with mix feelings of fun and excitement and that I decided to embark on this journey. 

We arrived at the airport at dawn, barely awake. Thankfully Beatriz had energy for the three of us 😊 Our flight, although significantly delayed, went smoothly, and promptly we were driven to a large resort. 
I was over the moon! Outdoor pool, indoor pool, thalassotherapy, gym, playground, two dining areas, a concessionary beach with a beautiful framing view, and, a with blue wristband giving me everything access free. In short, true luxury! 

Porto Santo ("Holy Harbour") is a relatively small island, very beautiful. Of volcanic origin, around 16 million years old, it's a paradise for any worthy geologist, given its diversity of rock formations. With about 5,000 residents, 11km long and 6km wide, it gathers most of its inhabitants in its only city and the capital of Porto Santo, Vila Baleira. Even so, I came to realize that if there is a means of locomotion, the island offers an extraordinary set of conditions allowing a wide range of activities. 

No shortage of options about it! There are several tour operators that offer boat, bus and jeep tours. Otherwise, it is possible to rent a car, electric car, motorcycle, bicycle or even a horse-drawn cart ride! 

I was fortunate to meet Lina, Miguel and Laura, a very nice family from Reguengo do Fetal who rented a car and generously invited me to join them on walking tours. 

We started of towards the most western edge of the main road, Ponta da Calheta viewpoint. Then followed its opposite end, till the harbor and water recycling plant (Porto Santo's water is 100% recycled). 

From there, we climbed to Pico da Portela, with its famous mills, offering magnificent views over the southern part of the island and the nearby Ilhéu de Cima (Cape Verde's islet, 400m away). We peeked through Porto dos Frades  and took a glimpse of the northern part of Porto Santo, seeing the peaks Pico Branco, Pico Juliana, until returning to where our first trekking began - close by to the canyon of Pico do Castelo. 

The peak is very green, as result of several decades of reforestation efforts made in this territory. Although not its highest, the course is quite steep and the climb has its challenging moments. But it is well worth it! The view from the top is in fact extraordinary. Right next to it is Pico Facho, the highest in Porto Santo, 484m up. By that time, we didn't risk going for it.


But we still managed to go to Cabeço do Zimbralinho. Following a dirt road, and after a steep descent, we came across an impressive escarpment giving rise to a beautiful beach of pebbles. Zimbralinho is one of the most famous spots for diving and snorkeling, and undoubtedly  worth any effort made to get there.

I arrived back at the resort tired and full of joy. And I can assure you that it was not hard to keep up with dear Beatrice and, after dinner, quickly fall asleep 😉 (reviewed by MC Alfarim).

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Portugal - Alentejo / Avis - Aug 2017

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Resolvi ir visitar os meus primos Braga a Avis. Parece uma piada mas não é. Este lado da minha família paterna é originário de Braga e, aquando da guerra das Patoleias, fugiu desta cidade e foi instalar-se no Alentejo, mais precisamente nas Galveias. Foi aqui que ganharam este nome: os “Braga”.
O ramo da família é gigante e eu não conheço grande parte, mas os com quem me dou são muito, muito boa onda.


Avis é um concelho no interior do país. Apesar da ausência de mar, a paisagem é lindíssima! É de uma beleza muito própria, com extensas planícies, pintalgadas de azinheiras e sobreiros e, de quando e quando, algumas charcas (poucas e mais reduzidas nesta altura do ano).
Aqui faz frio no Inverno e um calorão no Verão. Eu apanhei uma média de 38 a 40ºC de máxima!
Como podem imaginar, a partir das 11h30/ 12h é difícil estar fora de casa. 
Não deve ser por acaso que se come tão bem por estes lados! Sendo que os almoços prolongados são habitualmente seguidos de sestas.

Nós, por aqueles dias, éramos 13! E as refeições foram para mim momentos apetitosos e de animado convívio. O meu Tio Zeca é sem dúvida o “senhor” da cozinha. Churrascos, tartes, saladas temperadas com mestria pelo Zé, uma deliciosa vichyssoise da Maria João, caipirinhas da Teresa, entre outras iguarias, regadas com um bom vinho. Posso garantir que uma parte importante do meu tempo foi sentada à mesa.
Mais para o final da tarde, juntávamo-nos em animada converseta ou a ler um livro, à volta da piscina, intervalando com uns bons mergulhos e aguardando tranquilamente pelo espectáculo do pôr-do-sol.
Por outra palavras, no Verão, as manhãs são períodos privilegiados para fazer programas.

Enquanto por ali estive tive a sorte de acompanhar os meus primos à Herdade da Cortesia, famosa pelos estágios de remo, nacionais e internacionais.
Com uma vista privilegiada sobre a barragem do Maranhão, uma construção com design e integração na paisagem muito bem conseguidos e uma piscina panorâmica, este é um sítio que vale mesmo a pena visitar, mesmo que não estejamos aí hospedados. 
O espaço é muito bonito e agradável e oferece um conjunto diversificado de actividades.
De facto, aqui é possível alugar bicicletas, fazer paddle surf, andar de barco ou de canoa, fazer passeios de charrete ou de balão, entre outras.
Nós fomos para uma aula de volteio a cavalo, que a miudagem estava cheia de ganas de experimentar. E eu assumo, que quando soube, fiquei igualmente numa excitação 😄 
E assim foi! Sem estar a prever, iniciei-me no hipismo com uma aula de volteio orientada pelo Sr. Francisco (um homem muito simpático e com uma paciência de santo). A sua enorme sensibilidade era evidente na forma como se relacionava não só com cada um de nós mas sobretudo com o Xisto, o cavalo que montámos. Eu adorei a experiência! 


Outro programa que me vou recordar pelo bonito que é e pelo bem que me soube foi um passeio de bicicleta com a meus primos Tiago, Guida, Artur e Graça. 
Saí com a Graça mais cedo e fomos até à barragem do Maranhão, que eu não me entendo a fazer exercício com muito calor. 
O caminho tem alguns percursos sinuosos e é relativamente acidentado. Se para lá apanhámos grandes descidas, ao regresso esperava-nos o inverso. O Tiago, a Guida e o Artur, ciclistas bem mais experientes, mesmo tendo saído bastante depois, apanharam-nos na barragem. Ainda assim, e apesar do calor, as paisagens eram tão bonitas e a companhia tão divertida que valeram cada gota de suor libertada (e não foram poucas!). Uma experiência a repetir seguramente 😉

English version

I decided to go visit my cousins Braga at Avis. It sounds like a joke but it's not. This side of my paternal family comes from Braga and, during the War of the Patoleias, they fled this city and went to settle in the Alentejo, more precisely in the Galveias. It was here that they got their name: the "Braga".
The family branch is giant and I do not know a lot of them, but the ones I do are very, very good people.
Avis is a county in the interior of the country. Despite the absence of sea, the landscape is beautiful! It is of a very special beauty, with extensive plains, painted with holm oaks and cork oaks and, from time to time, some ponds (few and smaller this time of year).
Here it is cold in winter and hot in summer. I caught an average of 38 to 40ºC maximum!
As you can imagine, from 11:30 a.m., it is difficult to be outside.
It is not by chance that you eat so well on this part of the country! Prolonged lunches are usually followed by naps.


During my stay we were 13! And the meals were for me delicious moments and lively conviviality. My Uncle Zeca is undoubtedly the "master" of the kitchen. Barbecues, pies, salads seasoned with mastery by Zé, a delicious vichyssoise of Maria João, caipirinhas from Teresa, among other delicacies, washed down with a good wine, I can guarantee that an important part of my time was seated at the table.
Toward the end of the afternoon, we would join in a lively conversation or read a book, around the swimming pool, taking a good swim and waiting quietly for the spectacle of the sunset.
In other words, in the summer, mornings are prime periods for making programs.

While there I was lucky enough to accompany my cousins to the Herdade da Cortesia, famous for national and international oar stages.
With a privileged view over the dam of Maranhão, a construction with design and integration in the landscape very well achieved and a panoramic swimming pool, this is a place that is worth visiting even if we are not staying there.
The space is very beautiful and pleasant and offers a diverse set of activities.
In fact, here it is possible to rent bicycles, paddle surf, boat or canoe, go for cart or balloon rides, among others.
We went to a horseback riding class, which the children were full of desire to try out. And I assume, that when I knew about it, I was equally excited 😄
And so it was! Without foreseeing it, I began my equestrian course with a lecture directed by Mr. Francisco (a very nice man with the patience of a saint). His great sensitivity was evident in the way he related not only to each of us but especially to Xisto, the horse we rode. I loved the experience!


Another program that I will remember for the beauty that is and for the good that I knew, was a bike ride with my cousins Tiago, Guida, Artur and Graça.
I left with Graça earlier and went to the Maranhão dam since exercising in the heat is not for me.
The path has some winding paths and is relatively rough. With great descents that told us to expect the reverse on our way back. Tiago, Guida, and Artur, great cyclists, even though they left a lot later, caught us in the dam. Still, and despite the heat, the landscapes were so beautiful and the company so entertaining that they were worth every drop of sweat (and there were not a few!). An experience to repeat, for sure 😉 (reviewed by Maria João Venâncio)


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Portugal - Around Quinta do Outeiro - Aug 2017

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Não serei a pessoa que pior conhece a envolvente da Quinta do Outeiro (já que passo férias nesta casa desde que nasci), mas sei que tenho tendência para fazer o mesmo tipo de actividades que me dão gozo. Caminhadas, apanhar fruta, comer um gelado na Emanha, surfar no Cabedelo ou beber um copo à noite na Figueira, são clássicos. Pensei que seria interessante explorar outras possibilidades.


Um pouco no espírito “se não sabe porque é que não pergunta”, resolvi contactar a Câmara Municipal de Montemor-o-Velho e recolher informações sobre o que é que este município tem para oferecer.
Fui recebida prontamente pela Dra. Sandra Lopes, directora do departamento de cultura e turismo, que de forma directa e concisa me foi esclarecendo e confirmando muito do meu conhecimento. 

Montemor-o-Velho tem um dos castelos mais bem conservados do país e dispõe de um serviço educativo que oferece actividades para todas as idades. A igreja matriz é também muito bonita.

Seguramente vale a pena ir visitar a igreja da Nossa Senhora do Ó, em Reveles que, por ter uma localização privilegiada, é conhecida igualmente como um importante miradouro desta região. De facto, oferece uma paisagem lindíssima sobre o Mondego.

A povoação de Verride, bem conservada e recuperada, vale a pena visitar pelo seu valor patrimonial. Já a povoação de Pereira é famosa pela igreja da Misericórdia e as suas queijadas.

A propósito de queijadas! É também difícil não ganhar peso por estes lados porque a gastronomia é riquíssima! Os doces conventuais são muito variados (pinhas, pastéis de Tentúgal, queijadas de Pereira, barrigas de freira, queijadas de Santa Clara, etc.). 
O arroz doce é clássico e a lampreia é tida como uma das melhores do país e, na Primavera, o “Festival do Arroz e da Lampreia” faz prova disso mesmo.

Para quem gosta de artesanato, também é possível visitar e, eventualmente participar, nas oficinas de cestaria, madeiras ou barro, existentes no município. 

À quarta-feira, decorre a Feira Quinzenal de Montemor-o-Velho, um local cheio de vida e privilegiado para aquisição de produtos regionais de qualidade.
A Feira Anual é a 8 de Setembro, feriado municipal e dia da Nossa Senhora da Natividade, e vale mesmo a pena ir! Desde roupa, passando por produtos regionais, máquinas agrícolas, animais, legumes, fruta, actividades culturais e recreativas, vale tudo!

No que respeita às minhas questões sobre actividade ligadas à natureza, a Dra. Sandra conta que daqui a 1 ano já haja percursos pedestres oficializados e devidamente sinalizados. Pretendem ainda requalificar uma parte do rio Mondego que passa nesta Vila, criando infra-estruturas para a pesca desportiva e condições para um melhor aproveitamento desta área. 
Para já, a freguesia da Ereira oferece uma praia fluvial muito bonita, onde já tive a oportunidade de ir com o meu amigo Tedy, o ano passado.

Resumindo, do que pude apurar, actualmente os programas culturais e turísticos do concelho estão organizados em quatro grandes áreas: natureza, património, gastronomia e artesanato.

Como não existe nenhum operador turístico no território, a Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, tem procurado colmatar esta necessidade, informando qualquer pessoa que a procure e ajudando-a a desenhar programas de actividades e circuitos culturais/turísticos. Para tal basta enviar e-mail para geral@cm-montemorvelho.pt . Boa não?

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I am not the person who worst knows the surroundings of Quinta do Outeiro

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Portugal - Quinta do Outeiro - Aug 2017

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Desde que me lembro de ser gente que as minhas férias de Verão (mesmo as mais curtas) passam pela Quinta do Outeiro. Consta que, no séc XVI, foi um antigo convento de frades contemplativos. Passou a fazer parte do património da família no início do sec XIX, pertencendo actualmente à senhora minha mãe.
Como o nome indica fica numa colina e tem uma vista privilegiada sobre o Mondego, cenário para o nosso programa imperdível diário - o pôr-do-sol.



Vir em Agosto aqui é literalmente um programa de família. Os meus irmãos, os meus tios, os meus primos e actualmente os seus respectivos filhos, todos nos reunimos à volta de uma pequena piscina e as conversas vão discorrendo, ao sabor do dia e da “brisa” da Figueira. 
Este ano foi para mim especialmente interessante notar como estas conversas se vão substituindo geracionalmente e as mudanças que se vão dando. É verdade, todos envelhecemos…

Mas para mim ir até lá é também estar no campo e fazer actividades ao ar livre. Adoro! E apesar de habitualmente não ter companhia (o resto do pessoal parece ter coisas mais importantes para fazer), usufruo destes momentos com particular prazer.
Gosto de respirar profundamente e escutar os sons dos grilos, o zumbir dos insectos e o chilrear dos pássaros. Milhafres, cegonhas, flamingos, andorinhas e muito mais, esta é uma área privilegiada para quem é apreciador da observação de aves.
Fico encantada também de ir apanhar fruta! Pêssegos, limões, maçãs e pêras são o possível de se colher agora, mas noutras alturas diverte-me apanhar laranjas, romãs, nozes e ginjas.


A beleza desta casa deve-se sobretudo à Lena e ao Quim, o casal que cuida desta propriedade todo o ano, adivinhando-se o amor com que o fazem, tal é o esmero com que a terra se apresenta.
Este ano tive o privilégio de acompanhar o Quim na ordenha das cabras e, como gosto de experimentar tudo, de verificar que a actividade exige técnica e treino. É do leite destas cabras que a Lena faz uns queijos absolutamente deliciosos.

Fui ainda com a minha sobrinha Madalena apanhar amoras para fazer uma tarte. 
Este fruto silvestre obriga a alguns cuidados quando o apanhamos, sendo impossível não nos arranharmos. Ainda assim um programa bastante divertido, com a Madalena a indicar-me onde estão as melhores (fazendo notar que não chega lá) e a comer grande parte delas antes de chegar ao recipiente. A caminho de casa apanhámos uns figos e a Madalena, colheu ainda umas maçãs que serviram para enriquecer a dita tarte idealizada (feita sob a orientação da minha mãe, que é profissional nestas lides).


Tenho uma cumplicidade especial com esta sobrinha, de quem gosto muito, muito. Ela não é particularmente fã de passeatas mas quando a desafiei para irmos fazer arborismo à Figueira da Foz, respondeu-me imediatamente que sim, sem qualquer hesitação.
No meu último dia, lá fui eu com ela até ao Parque Aventura, onde nos esfalfámos as duas por umas boas 3 horas, procurando fazer as 6 pistas disponíveis. 
Entre gargalhadas e provocações fomos cumprindo os desafios, muito embora tenha que confessar que a última pista não foi superada. Esforcei-me imenso, de tal forma que até pendurada de cabeça para baixo estive 😛. Ainda assim, não consegui sequer trepar à árvore, através da escada de corda disponível. Adivinham o disparate, não? 
E foi estoiradas e com um apetite impressionante que regressámos a casa. 

English version

Since I remember existing, my summer vacations (even the shorter ones) passed by Quinta do Outeiro. It is said that in the 16th century it was a former convent of contemplative friars. It became part of the family patrimony in the early nineteenth century and nowadays belongs to my mother.
As the name indicates it is on a hill and has a privileged view on the Mondego river, scenery for our daily must-see program - the sunset.


Coming here in August is literally a family program. My brother and sisters, my uncles, my cousins and now their respective children, we all gather around a small swimming pool and the conversations keep going on, following the flavour of the day and the Figueira "breeze".
This year, it was especially interesting for me to notice how these conversations are being replaced generationally and the changes that are taking place. It's true, we're all getting older ...

But for me, to go there is also to be in the countryside and to do outdoor activities. I love it! And although I usually do not have company (the rest of the people seem to have more important things to do), I enjoy these moments with particular pleasure.
I like to breathe deeply and listen to the sounds of crickets, the buzz of insects and the chirping of birds. Goshawks, storks, flamingos, swallows and many more, this is a privileged area for those who are fond of birdwatching.
I'm also delighted to go picking some fruit! Peaches, lemons, apples and pears are what you can pick now, but in other seasons it amuses me to pick oranges, pomegranates, walnuts and sour cherries.


The beauty of this house is due mainly to Lena and Quim, the couple who looks after this property all year. You can guess the love they put on it, such is the care with which the land presents itself.
This year I had the privilege of accompanying Quim in the milking of goats and, as I like to try everything, to verify that the activity requires technique and training. It is from the milk of these goats that Lena makes absolutely delicious cheeses.

I also went with my niece Madalena to pick blackberries to make a tart.
This wild fruit requires some care when we pick it up, and it is impossible to not get scratched. Still a very entertaining program, with Madalena telling me where the best ones are (warning me she cannot reach them) and eating a lot of them before reaching the container. On the way home we picked some figs and Madalena also picked some apples that served to enrich the said idealized pie (made under the guidance of my mother, who is a professional in these proceedings).


I have a special complicity with this niece, whom I like very, very much. She is not particularly fond of walks, but when I challenged her to go do some tree-climbing at Figueira da Foz, she immediately answered yes, without any hesitation.
On my last day, I went with her to Parque Aventura, where the two of us worked out for a good 3 hours, trying to tackle the 6 available tracks.
Through laughter and taunts we were fulfilling the challenges, although we have to confess the last track was not completed. I struggled so hard that even hanging upside down I was 😛. Still, I could not even climb the tree, using the available rope ladder. You can guess the nonsense, right?
And it was knackered and with an impressive appetite that we returned home (reviewed by Graça Braga).

domingo, 13 de agosto de 2017

Portugal - Parque Nacional da Arrábida - Aug 2017

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O tempo passa depressa e bem! Não me posso queixar, de todo, da minha vida 😉

Tinha programado ir fazer uma caminhada pelo Parque Natural da Arrábida com o Yoni. 
Este meu amigo espanhol, de ascendência portuguesa, partilha comigo o facto de ser filho de psicanalistas, adorar viajar e fazer actividades ao ar livre. 
Ora a Arrábida é reserva natural, famosa pelos seus percursos pedestres, possibilidades de escalada e mergulho. O Yoni não conhecia e, por incrível que pareça eu também já lá não ia há alguns anos (um enorme disparate, considerando que fica tão perto de Lisboa).


Saímos da capital a meio da manhã e, já em Azeitão, resolvemos parar no supermercado onde nos abastecemos generosamente. Pareceu-me um excesso, mas o Yoni come bem e defendia que iríamos queimar as calorias todas consumidas na nossa caminhada.
Chegados ao Parque Natural, fomos inicialmente até sopé sul da Serra, mais precisamente ao Portinho da Arrábida. Esta baía é de facto lindíssima e encontra-se rodeada por encostas verdejantes. Nesse dia o mar espelhava um verde vibrante e, apesar de ser sexta-feira, os acessos estavam bastante concorridos e o estacionamento nada fácil.

Optámos por seguir para Este e, desta vez, arrumámos o carro no limite em que nos era permitido. Ainda assim (e muito à portuguesa), à nossa frente a estrada estreitava e continuava, repleta de veículos estacionados de um lado e do outro (adivinhado-se o aborrecimento que aquilo haveria de dar horas mais tarde). Com estas voltas era já meio-dia e estava um calor de se poder estrelar ovos. A nossa caminhada aconteceu mas não como imaginávamos. Seguimos tranquilamente, limitados pela serra acidentada, muito verde, e o mar, de água tão transparente que dir-se-ia que estávamos no Caribe.
O nosso passeio acabou por decorrer entre a Praia dos Galapos e a Praia da Figueirinha, atentos aos recortes encantadores da falésia. O percurso não tem mais de 2 km mas, de facto, estava demasiado calor. Acabámos por voltar um pouco para trás e escolher como poiso um pequeníssimo recorte de areia e rochas que se revelou o nosso spot
Comemos e passámos o resto da tarde a entrar e a sair da água cristalina e fria, a apreciar o extraordinário cenário e a regozijarmo-nos com a sorte que temos. 
Quanto à caminhada, ficou assente que a próxima vez é que era, começando ou mais cedo ou num dia mais fresco.

Curiosamente e sem ter nada muito programado, terminei o fim-de-semana não muito longe dali. 
Já não via a minha amiga Joana há demasiado tempo e tive o privilégio de matar as saudades que tinha nesse domingo, passando o dia a bordo do barco do seu padrasto. 

Fazendo-me acompanhar de uns biscoitos e de um queijinho de Azeitão, fui ter com ela a Maçã e seguimos para o Porto de Sesimbra, com a mãe e o padrasto. A Helena e o Carlos são um encanto de pessoas. Divertidos, conversadores e de uma grande generosidade fizeram-me sentir imediatamente à vontade. 



O dia estava fantástico, sem vento (coisa rara nos últimos dias!). Saímos do porto na direcção do estuário do Sado, seguindo junto às falésias do Parque nacional da Arrábida. Pouco depois de passarmos a famosa rocha do Leão, ancorámos o barco e passámos uma tarde deliciosa. A Helena tinha preparado um rico e apetitoso farnel e é com alguma vergonha que confesso que me empanturrei de uns figos extraordinários (para mim, os primeiros do ano). Entre mergulhos, amena cavaqueira e petiscos muito saborosos, fomos brindados com a presença de um grupo de golfinhos. Um momento mágico! 

A tarde prosseguiu serenamente. E devagarinho, foi-se instalando em mim uma tranquila felicidade que se prolongou até ao fim daquele dia.

English version

Time passes quickly and in a great way! I can not complain about my life, at all 😉


I had planned to go for a walk at Arrábida's Natural Park with Yoni. This Spanish friend, of Portuguese descent, shares with me the fact of being the son of psychoanalysts, his love for travel and outdoor activities.
Arrábida is a natural reserve, famous for its pedestrian paths, possibilities for climbing and diving. Yoni did not know it and, as incredible as it may seem, I had not been there for a few years  (a huge nonsense considering it is so close to Lisbon).

We left the capital at mid-morning and, already in Azeitão, we decided to stop at the supermarket where we stocked generously. It seemed to me an excess, but Yoni eats a lot and made a point that we would burn all  the consumed calories in our walk.
Arriving at the Natural Park, we went to the southern foothills of the mountain, more precisely to Portinho da Arrábida. This bay is indeed beautiful and is surrounded by green slopes. On that day the sea reflected a vibrant green and, although it was Friday, the accesses were quite crowded and parking was not easy.

We chose to move on East and parked the car where it was allowed. Still (and very much in a Portuguese way), the road ahead became narrowed, filled with vehicles parked on one side and the other. We could guess the annoyance that would come hours later. 

With all this going around it was already noon and it was so hot that we could fry eggs. Our walk happened but not as we imagined. We followed quietly, bounded by the rugged mountain range, very green.  The sea was so transparent that it seemed that we were in the Caribbean.
Our tour ended between Galapos Beach and Figueirinha Beach, attentive to the charming  clippings of the cliff. The course is no more than 2 km but, in fact, it was too hot. 
We ended up going back a bit and choosing to nest in a tiny clipping of sand and rocks that turned out to be our spot. We ate and spent the rest of the afternoon moving in and out of the cold water, enjoying the extraordinary scenery, and rejoicing about our luck. 
In respect to the walk, it was settled that the next time we would do it earlier or in a cooler day.

Curiously, and without having anything scheduled, I finished the weekend not far from there.
I had not seen my friend Joana for too long, and I had the privilege of killing the homesickness I had on Sunday, spending the day aboard her stpefather's boat.
Taking with me some cookies and a little cheese from Azeitão, I went to meet her up in Maçã and we went to the Port of Sesimbra, with her mother and stepfather. Helena and Carlos are charming people. Fun, talkative and very generous. They made me feel immediately at home.


The day was fantastic with no wind (a rare thing in recent days!). We left the port towards Sado estuary, following along the cliffs of Arrábida's National Park. Shortly after we passed the famous Lion's Rock, we anchored the boat and spent a delightful afternoon. 
Helena had prepared a rich and appetizing farnel and it is with some shame that I confess that I got bogged down with some extraordinary figs (for me, the first of the year). Between dives, small talks and very tasty snacks, we were gifted the presence of a group of dolphins. A magical moment! 

The afternoon went on serenely. And slowly, a quiet happiness settled into me and lasted until the end of the day (reviewed by Maria João Venâncio). 

domingo, 30 de julho de 2017

Portugal - Hiking Guincho/Praia da Grota - July 2017

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O meu irmão, a minha cunhada e os meus sobrinhos regressaram à Colômbia esta 6ª feira. 
Durante 1 mês e meio estive com eles de uma forma intensa, praticamente diária, muito preocupada em usufruir da sua presença que, em regra geral, ocorre anualmente. 

Não fiquei fechada propriamente em casa. Fui e acompanhei-os a diferentes festas e encontros familiares, tanto do lado materno como paterno, em lugares, também eles, de família. 


É como se a minha vida neste período fosse uma viagem de comboio, que se desenrola a dois ritmos, o de dentro da carruagem e o da percepção da velocidade de quando olhamos pela janela. 

Isto para mim não é de menor importância. De volta e meia falo do tempo porque na verdade afecta a minha forma de viver e ontem acho que tive a clarividência de perceber porquê.

O prazer em querer estar com eles é afectado pelo facto de saber que se vão embora em pouco tempo. Passo da vivência do prazer à ânsia. Nesta mudança entro num estado mais ou menos sôfrego, antecipando a inevitável separação. Perco a consciência do que se passa e do que quero ou me apetece. A preocupação parece ficar reduzida ao querer estar com eles, oscilando entre uma espiral de sentimentos e pensamentos nem sempre concordantes. Nesta redução de consciência do que quero ou me apetece deixo de estar no “agora”. Penso demasiado, sinto com intensidade, mas não estou.

Não pode ser por acaso que guardo com especial prazer o meu último dia com eles na praia, até às 22h30, a pescar. Entre jogos de desenhos na areia e a atenção à ponteira das canas, o sol pôs-se, oferecendo uma paleta de cores magnífica, sobre um mar fustigado pelas rajadas de vento e o som do quebrar das ondas. 
Foi até à última, a acompanhar a pesca de 5 peixes, que acabaram a ser comidos já só por mim e pelo meu irmão. Pouca conversa e tanta tranquilidade…

Friday quando os deixei no aeroporto, saí de lá chorosa, com um sentimento de vazio e tristeza. Conheço-me o suficiente para saber que as separações não são fáceis por isso decidi combinar fazer uma caminhada com a minha amiga americana Kasey.
Fui ter com ela depois do almoço, num dia quente em todo lado menos em Sintra. Comecei a subir da Malveira da Serra em direcção à Ulgueira, e só faltava chover. Céu escuro, nuvens e frio… absolutamente impressionante a diferença de temperatura!


Fizemos uma mudança de planos e optámos por fazer uma caminhada linda, entre o Guincho e a Praia da Grota. Sol firme e uma temperatura agradável apesar do vento forte, foram as condições que nos acompanharam ao longo do passeio pela arriba. 
A paisagem pareceu-nos uma instalação de arte. Plantas costeiras e arbustos (como o zimbro), repletos de bagas, pintalgados de pedaços de madeira queimada, aparentemente espalhados de forma cuidadosa. Mais tarde avistámos pinheiro bravo mais rasteiro e algum dele totalmente queimado pelo sol. Provavelmente era daqui que vinha a madeira que anteriormente tínhamos visto, dispersa pelo vento.
Terminámos o dia a jantar uma refeição vegetariana deliciosa, colorida, numa descoberta de sabores e texturas a que não estou acostumada. Tão bom!

É verdade, tenho procurado perceber o que é que me ajuda a estar consciente, presente. Claramente a pesca, as caminhadas ou as viagens são para mim formas de o conseguir fazer. Não são fugas. São estratégias de procura de um encontro comigo própria, com a vida e, por consequência, com os outros. 

English version

My brother, my sister-in-law, niece and nephew returned to Colombia this Friday. For one month and a half I was with them in an intense way, almost daily, very worried about enjoying their presence, which I’m only in once a year.

I was not closed at home. I went and accompanied them to different parties and family gatherings, both on the maternal and paternal side, in places also connected with  family.

It was as if my life in this period was a train journey that unfolded in two rhythms: the one inside the carriage and the perception of the speed when we look out the window.

This for me is not of minor importance. Occasionally I talk about time because it really affects the way I live my life and yesterday I think I had the insight to understand why.


The pleasure of wanting to be with them (my brother and family) is affected by the fact that I know they are leaving in a short time. I step from experiencing pleasure to craving. In this change I enter into a more or less avid state, anticipating the inevitable separation. I lose consciousness of what is going on and what I want or wish. The concern seems to be reduced to wanting to be with them, wavering between a spiral of feelings and thoughts that are not always concordant. In this reduction of consciousness of what I want, I cease to be in the "now". I think too much, I feel intensely, but I'm not there.

It wasn't by chance that I stayed with them with immense pleasure on the beach until 10:30 p.m. fishing on their last night. Between sets of drawings in the sand and the attending to the tips of the fishing rods, the sunset offered a magnificent color palette over a sea whipped by the gusts of wind and the sound of the breaking of the waves.

I was there until the end, to accompany the catch of five fish, which were eaten by just my brother and me. Little talk and so much peace…

Friday when I left them at the airport, I left there weeping with a feeling of emptiness and sadness. I know enough to know that goodbyes are not easy for me so I decided to go for a hike with my American friend, Kasey.

I went to meet her after lunch, on a hot day everywhere except in Sintra. I started to climb up from Malveira da Serra toward Ulgueira. Dark sky, clouds and cold... the temperature difference was absolutely incredible!


We made a change of plans and opted to take a beautiful walk between Guincho and Praia da Grota. Despite the strong wind, we had strong sun and a pleasant temperature along our hike. The landscape seemed to us an installation of art. Coastal plants and shrubs (like juniper), brimming with berries, scattered pieces of burnt wood, seemingly positioned carefully. Later we caught sight of a massive dried out pine tree, some of it totally burned by the sun. It was probably from here that other wood we had seen came from, scattered by the wind.
 We finished the day with a delicious dinner, a colorful vegetarian meal that was a discovery of tastes and textures that I am not used to. So good!

It is true, I have sought to understand what it is that helps me to be aware, present. Clearly, fishing, hiking or traveling are all ways that allow me to do it. There are no escapes. They are strategies for seeking an encounter with myself, with life and, consequently, with others (reviewed by Kasey Kinsella).

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Portugal - Conímbriga / Cabo da Roca - Jul 2017

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Como calculava há praticamente um mês que estou muito dedicada à família, em especial ao meu irmão, cunhada e sobrinhos, que estão cá por pouco tempo.
Ora estou entre Lisboa e Oeiras, ora vou para a Comporta, ora arranco até Montemor-o-Velho… Enfim, acompanho-os mais ou menos para todo o lado onde vão.
Esta é também uma altura de festas e reuniões familiares, tanto do lado Matoso como do Coelho Rosa. São almoços, são jantares, são batizados, são fins-de-semana (nestes casos são muitas refeições), com os respetivos preparativos.

Vamos apanhar laranjas e limões, vamos à praia, vamos para o campo, vamos a jardins, cortam-se dedos, abrem-se cabeças, tudo bastante agitado e emocionante.
Come-se e bebe-se muito e, apesar de não me agradar, já não dá para negar que estou mais pesadota.
A noção temporal e espacial altera-se e tudo parece muito rápido e mais pequeno. Dou por mim a pensar em coisas que me dão prazer fazer, em desacelerar…
Viajar vem-me invariavelmente à cabeça. É sair do automático, para mim uma espécie de meditação de olhos bem abertos.
E é então que constato e recordo duas ocasiões que me surpreenderam recentemente.

Tenho um grupo de amigos que sabe que me pelo por uma mudança de contexto e, no outro dia, tive a oportunidade de acompanhar o André a uma ida ao Museu e ruínas de Conímbriga, uma antiga cidade Romana, situada em Condeixa, a pouco menos de 20 km da cidade de Coimbra.
Ele tinha um encontro com o diretor do museu, Dr. Virgílio Correia, e foi encantada que saí de manhã cedo de Lisboa.
Não ia a Conímbriga há muitos, muitos anos, mas recordava-me do fascínio que me tinha provocada essa visita quando era criança. E quero dizer-vos que voltei a sentir o mesmo já mulher feita.
Tivemos o privilégio de ter uma visita guiada pelo Dr. Virgílio que, com uma enorme amabilidade, nos mostrou os diferentes edifícios e nos falou da sua história: o Anfiteatro, o Fórum antigo e o novo, a Praça, o Templo, as termas, as casas… todo este espaço tendo por pano de fundo a encantadora mata da Alfarda. Fiquei novamente maravilhada com a sofisticação da engenharia romana, com as primeiras referências anteriores ao nascimento de Cristo.

Reparei ainda que o caminho de Santiago passa por aqui. Posso escolher e fazer algumas etapas do percurso a pé. O caminho de Santiago, geralmente passa por sítios deslumbrantes, com pouco circuito de automóveis e muita natureza e pensei que esta seria uma óptima maneira de viajar em Portugal


Após esta visita regressámos a Lisboa, parando antes em Penela para almoçar (a cerca de 15 km). Esta pequena vila portuguesa é mimosa e está muito bem cuidada. Apresenta um castelo bem conservado que oferece uma vista muito bonita.
Estávamos esfaimados! Fomos recebidos de forma muito amistosa no Varandas do Castelo, um restaurante familiar, onde nos explicaram que os legumes são fervidos em água da nascente, a carne comprada a produtores locais e as deliciosas batatas são cortadas, demolhadas de véspera e só depois fritas. Tudo com imenso cuidado e sabor.
Ainda parámos para comprar biscoitos de alfarroba e queijos de cabra com ervas. Adorei!

A outra situação ocorreu no dia seguinte, quando fui ao encontro da Kasey, uma amiga americana que conheci na Tailândia, chegada recentemente a Portugal. Ela é uma viajante e é como se fizéssemos parte de uma grande tribo, espalhada por esse mundo. Quando viajamos procuramos fazer parte da comunidade que estamos a conhecer, mais do que observá-la de fora.


Kasey escolheu como base Almoçageme, na freguesia de Colares, onde, à data, estava há cerca de 1 semana. Tínhamos combinado fazer uma caminhada naquela zona e eu estava tão encantada com o programa como em revê-la!
Pusemos a conversa em dia enquanto ela almoçava e arrancámos para fazer um percurso pedestre maravilhoso que passaria pela praia da Ursa e terminaria no Cabo da Roca. O que me fascinou, e me deixou até um pouco embaraçada, foi que no espaço de uma semana, a minha amiga conhecia muito melhor aquela área do que eu.

Eu adoro caminhar e é algo que me dá tranquilidade e repõe o tempo. Apesar de ter a ideia de que conheço relativamente bem o meu país, de repente apercebi-me do tanto que tenho por explorar, de uma forma que me dá imenso prazer, ecológica e económica. Há melhor forma de o fazer?

English version

As I had expected, for almost a month I’ve been very dedicated to family, especially my brother, sister-in-law and nephews, who are here for a short time.
Either I am between Lisbon and Oeiras, or I go to Comporta, or I go to Montemor-o-Velho... Anyway, I accompany them more or less everywhere they go.
This is also a time for family parties and gatherings, both on the Matoso side and the Coelho Rosa. There are lunches, dinners, a baptism, weekends (with many meals) and the corresponding preparations.
Time to pick up oranges and lemons, go to the beach, go to the countryside, go to gardens, cut fingers, open heads, everything quite agitated and exciting.
We eat and drink a lot, and although I do not like it, I can no longer deny that I'm heavier.
Time and space notion changes and everything seems very fast and small. I think to myself about things that give me pleasure to do, to slow down ...
Traveling invariably comes to my mind. It is a way of leaving the automatic, for me a kind of meditation with open eyes.
And that's when I notice and remember two occasions that surprised me recently.


I have a group of friends who know that, once in a while, I like a change of context.
The other day, I had the opportunity to accompany André to a trip to the Museum and the ruins of Conímbriga, an ancient Roman city, located in Condeixa. Less than 20 km from the city of Coimbra.
He had a meeting with the director of the museum, Dr. Virgílio Correia, and I was delighted when I left Lisbon early in the morning.
I had not been to Conímbriga for many, many years, but I remembered of the fascination of this visit when I was a child. And I must tell you that I've felt the same way again.
We had the privilege of having a guided tour by Dr. Virgilio, who with great kindness, showed us the different buildings and told us about their history: the Amphitheater, the old and new Forum, the Square, the Temple, the houses ... all this spaces against the backdrop of the lovely Alfarda forest. I was again amazed by the sophistication of Roman engineering, with the earliest reference before the birth of Christ.
I noticed that the “Camino de Santiago” passes here. I could choose and do some stages of the path by foot. The “Camino de Santiago” usually goes through stunning sites, with little circuit of cars and a lot of nature and I thought this would be a great way to travel in Portugal

 After this visit we returned to Lisbon, stopping before in Penela for lunch (about 15 km). This small Portuguese village is cuddly and very well maintained. It features a well-kept castle that offers a very beautiful view.
We were starving! We were greeted in a very friendly way at the Varandas do Castelo a family restaurant, where we were told that vegetables are boiled in spring water, the meat bought from local producers, and the delicious potatoes are cut, soaked the day before and then fried. All with great care and taste.
We still stopped to buy carob biscuits and goat's cheese with herbs. I loved it!

The other situation occurred the day after when I went to meet Kasey, an American friend I met in Thailand, who recently arrived in Portugal. She is a traveller and it is as if we were part of a great tribe, scattered throughout this world. When we travel, we seek to be part of the community we know, rather than look at it from the outside.


Kasey chose as base Almoçageme, in the parish of Colares, where, at that date, she was staying for about 1 week. We had agreed to hiking in that area and I was so delighted with the program as I was at reviewing her!
We set the conversation up while she had lunch and we set off to make a wonderful pedestrian route that would pass through Ursa beach and ended at Cabo da Roca. What fascinated me, and left me even a little embarrassed, was that in the space of a week, my friend knew that area a lot better than I.

I love to walk and it is something that gives me tranquillity and restores time. Despite the idea that I know my country relatively well, I suddenly realized how much I have to explore in a way that gives me huge pleasure, it is ecological and economic. Is there a better way to do it? (reviewed by Maria João Venâncio)