domingo, 25 de setembro de 2016

Cabo Verde - Ilha de São Tiago - Rabelados



Esta semana foi marcada por dias cheios, preenchidos por reuniões de trabalho e visitas a projetos e instituições. 


De facto, pude visitar uma série de bairros e perceber um pouco melhor a Cidade da Praia, que não é muito intuitiva uma vez que tem questões importantes associadas à falta de planeamento urbanístico.
Esta questão faz com que se procure minorar os problemas resultantes. 
Um exemplo disso mesmo foi a criação do Centro de Intervenção Comunitária da Bela Vista, um equipamento que presta apoio a um bairro resultante da construção maciça de casas ilegais.

Outra temática que me tem chamado a atenção e despertado interesse é o papel da Mulher nesta sociedade, marcadamente matriarcal. São absolutamente extraordinárias!
Elas trabalham, cuidam dos filhos, têm níveis de participação política e cívica como nunca vi. Enfim…levam tudo à frente! 
É toda uma outra forma de exercício do feminino. Não é ser “maria-rapaz”, é ser assertiva na procura da autonomia. Fazer por conquistar o poder e o controlo sobre a própria vida. Tem sido realmente um privilégio conhecer muitas destas mulheres :)



Cabo Verde parece ser ainda um país que valoriza e aposta na cultura. Pelo menos a capital oferece atividades culturais e desportivas, tendencialmente gratuitas, muito participadas. É o Mindelac, são lançamentos de livros, música ao vivo em todo o lado, aulas abertas de ginástica ou de dança na rua…querendo, programas não faltam toda a semana!


De resto, tive a possibilidade de fazer uns passeios pela ilha, que é de facto lindíssima, graças à Mariana e ao Lourenço.
Nesta altura do ano, as estradas percorrem paisagens de um verde frondoso, acompanhadas por colinas, vales, achadas e picos. 
Pelo centro da ilha, fui até à praia de São Francisco (uma praia encantadora logo à saída da capital) e conheci a Assomada, a 2ª cidade mais populosa mas muito acolhedora (em 3 horas fiz uma série de amigos :D).
Fui ainda até ao Tarrafal, em que, para além de se poder visitar o antigo campo de concentração criado pelo Estado Novo, em 1936, tem uns recortes de praia de areia branca deliciosos. A água é quente e transparente, com ótima visibilidade, cheia de cardumes de peixes de diferentes espécies (sim, eu fiz snorkeling!)



Tive ainda a sorte de visitar os os Rabelados de Espinho Branco, uma comunidade religiosa que surgiu a partir de grupos que se revoltaram contra as reformas na liturgia da Igreja Católica, isolando-se do resto da sociedade, correndo hoje risco de extinção. Interessantíssimo! Sabino Gomes Rabelarti (sabinorabelarti@gmail.com), verdadeiro relações públicas da comunidade, terá todo o prazer de vos acompanhar. 

Por fim, o caminho de regresso à cidade da Praia, via Calheta de São Miguel, ainda que muito diferente, é igualmente fabuloso! Ao verde, que faz jus ao nome do país (embora apenas num período curto do ano), junta-se o azul do mar, que acompanha toda esta costa de areia preta, mais árida já que exposta aos ventos vindos do Sahara.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Cabo Verde - Cidade da Praia - Set 2016




Engraçado que a decisão de viajar e a compra do bilhete para a Cabo Verde - Cidade da Praia - foi tão em cima da hora que nem tive tempo para processar horários. Parti de Lisboa e cheguei sem qualquer atraso.
Sorri com o prazer de sentir logo à saída do avião, 28ºC e uma humidade de deixar o corpo colado! Sim, tinha chegado!
Pensei que aterrava à meia-noite, e estava apreensiva. Queria  avisar a minha cicerone (prima Mariana) que afinal, chegara 2h mais cedo. Mas não havia razão para me afligir. O tempo que demorei a conseguir o visto, repôs praticamente o rigor no horário ;)

A minha prima e a Paulina (uma guineense vistosa e super simpática) trabalham juntas e partilham uma casa com uma vista encantadora sobre a "Prainha" -  um pequeno recorte de costa, de areia e pedras pretas. Ao redor um morro verdejante. Custa a acreditar que a maior parte do ano tem uma tonalidade amarela. Mas eu cheguei na época das chuvas, e não me arrependo.

Estes três primeiros dias foram marcados essencialmente pelo reconhecimento da área e reuniões. Cruzando a informação recolhida na Embaixada Portuguesa, alguns contactos extraordinários cedidos pela minha amiga e colega São e conversas com a Mariana, a Paulina, a Laura (espanhola muito despachada e descontraída), o Polo (francês, boa pinta e muito porreiro), a Aleida (super inteligente e culta), acho que começo a ter uma coleção de dados e um panorama muito interessante da realidade.

Cabo Verde é um país insular, constituído por cerca de meio milhão de habitantes, distribuídos pelas 10 ilhas. A diáspora é muito relevante, e existem mais caboverdianos a residir fora do que dentro do país. Parece que cerca de 65% da população tem idade inferior a 25 anos, tendo uma estrutura etária marcadamente jovem.
Aqui, tenho a sensação que me posso “apaixonar” inúmeras vezes ao dia. Não me refiro apenas ao facto de serem “bonitos para xuxu” (homens e mulheres)! É também um povo muito afável e disponível. Têm um coração grande, são generosos e têm um espírito cívico interessante.


Fiquei particularmente entusiasmada e impressionada com a  Associação Pilorinhu . Situada na Achada Grande Frente, este projeto nasceu de um espaço público abandonado, que foi ocupado e recuperado por um grupo de Ativistas de várias comunidades, seguidores dos ideais de Amílcar Cabral. 
É absolutamente comovente conhecer o trabalho que estes jovens fazem para contribuir para a melhoria das condições da sua comunidade e, ao fazê-lo, torna-se óbvio porque é que ganharam o prémio “Direitos Humanos Operation Day Work”.

Mas a título de descanso, o que valeu mesmo foi o final da tarde de ontem. O Lourenço, amigo da minha querida São, teve a simpatia e generosidade de me vir buscar e levar à Cidade Velha.
Esta localidade fica já fora da Cidade da Praia. A estrada que nos conduz até lá, atravessa montes, atualmente verdejantes, e o gado ainda muito magro, passeia-se tranquilo, adivinhando-se menos ansioso com o pasto renovado.
 


A Cidade Velha é uma zona histórica importante da ilha,  destaca-se as  ruínas de um antigo e importante edifício e um forte muito bonito, situado em cima de um morro. Cá em baixo, casinhas pitorescas, arranjadas e um pequeno e bonito recorte de praia. É claramente uma zona mais tranquila e turística.
Beneficiei das saudades que o querido Lourenço tem da minha amiga São. Bebi uma água de côco, seguida de uma "noiva" (leia-se, uma cerveja "estupidamente" gelada) e moreia frita. Absolutamente genial!

domingo, 18 de setembro de 2016

Brasil - Chegada a São Paulo - Março 2016

(NOTA: Esta crónica é relativa a uma viagem realizada em Março de 2016. Corresponde ao que vivi e senti à data)


Escrevo-vos de São Paulo, uma cidade gigante e que, do pouco que vi, tem muito boa energia!

Estou bem, ainda a recuperar, que a viagem foi uma aventura!
Às 3h30 da manhã um taxista meio psicopata veio buscar-me a casa. O homem não só dizia "estava a ver que não! O único trabalho de jeito esta noite! Lixei-os a todos quando vi o pedido", como não estou segura se o lixar não era com F....Muitos palavrões disse aquele homem que assumia não compreender ou aceitar corridas de curta distância, merecendo toda a gente o tratamento devido. E sim, ainda fomos ao Uber e ao facto dele não ter nada contra eles mas se apanhar um que dá cabo dele... A esta altura já há muito que estava remetida ao meu silêncio e perguntava-me se isto seria um sinal.

Foi com alívio que saí no aeroporto, àquela hora meio fechado. Não deu para plastificar a mala como gostaria, e a rapariga do check-in procurou ser simpática e despachou a mochila como bagagem fora do formato.

O embarque começou pouco depois. Apercebi-me que o circo estava montado quando informaram que não havia mais espaço no avião para aquilo que chamam bagagem de mão.
Muita gente zangada e eu tranquila com a minha mochila pequena conversando com o mais recente amigo, o António (um rapaz que pôs uma licença sem vencimento, está a apostar num projeto próprio e ia para Bali - coincidências!). Comentava a sorte que tinha porque não podia ficar sem aquela mochila J

O avião partiu com atraso, por questões no aeroporto de Amesterdão, e foi "à queima" que apanhei o outro avião para São Paulo.
A viagem correu bem embora cansativa e quando cheguei, mal me liguei à net soube que a KLM pedia desculpa mas não havia mala.
Ainda mandei uma gargalhada, porque não adianta aborrecermo-nos nestas alturas. 
Quando me disseram que podia gastar até 100€ que faziam o reembolso, quase achei que tinha sorte, mas a verdade é que cheguei tarde e quem me conhece sabe o que eu gosto de fazer compras...(não tenho paciência!).



Ainda pensei que tudo isto era um sinal para ir de "ônibus", mas o que é facto é que demoraria mais tempo, teria que apanhar 2 autocarros e ainda assim procurar a casa do Tiago Mestre  .
Estava demasiado estoirada para aventurar-me. Apanhei um táxi.

Numa figura meio bizarra (que a minha roupa de corpo não era adequada ao local) e depois de perceber a numeração dos apartamentos (meio estranha), lá dei um abraço ao Tiago.
Sabem do orgulho que tenho nele. Arquiteto e artista plástico, tem um conjunto de trabalhos a decorar a casa e uma vista fantástica sobre a cidade.


Depois de uma taça de vinho branco, fui dar uma volta com o meu amigo e jantar num restaurante árabe ótimo onde pusemos a conversa, dos últimos 5 anos, em dia!
Regressada a casa e podre como há muito não me sentia, caí na cama e dormi que nem um anjinho J
 Hoje a ver o que me aguarda. Para já vou sair  para ver se compro qualquer coisa que não posso continuar nestes preparos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Vietname - Phu Quoc - Dez 2010

(NOTA: Esta crónica é relativa a uma viagem realizada em 2010. Espelha a minha forma de ser e de pensar da altura)


Chegámos a Nha Trang e chovia muito o que levou a mudança de planos bruscos (acho que foi aí que fiquei, não?).
No dia seguinte acordámos à hora do costume (3h da manhã), para irmos apanhar um avião para Phu Quoc, com escala em Ho Chi Minh.

A viagem correu dentro da normalidade (coisa de salutar). Chegámos a uma ilha muito simpática e fomos à procura de alojamento para 7 marmanjos. Escuso de dizer que a coisa foi complicada e que os espaços livres deixavam-nos no “buraquinho” cá do sitio J

Por fim, conseguimo-nos safar relativamente bem e ficámos num alto spot, 3 quartos num resort e 1 no resort ao lado.
O sítio é lindíssimo e para o snorkeling, fantástico! Temperaturas muito agradáveis, dando para viver perfeitamente com o facto de não haver água quente.

A bicharada aqui é muito viva e os insectos são gigantes, o que explica muito bem porque é que os comem, que com aquele tamanho podem bem saber a franguinho J



 Hoje fizemos um alto passeio de barco, em que nos levaram aos lugares de mergulho e houve direito a pesca à linha. Eu e o Hugo fomos os únicos que conseguimos apanhar peixinho (e o meu foi alto peixinho!)
Nessa tour estava a maluca de uma inglesa que passava o tempo a corrigir o inglês dos vietnamitas, o que, dentro do ridículo, atingia também o bizarro.



Amanhã suponho que vamos dar uma volta pela ilha de mota e arrancar para Ho Chi Minh, para fazer o Delta do Mekong  e depois seguir para o Cambodja. Mas estas coisas nunca se sabem se de facto se realizam  ou se mudamos de planos. A ver!