quinta-feira, 22 de junho de 2017

Portugal - Verão por cá / Summer time - Jun 2017

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Adoro viajar! Faço-o sempre que posso. Quando o faço, conheço novas pessoas, novos sítios, novas culturas, novos projetos… aprendo imenso! Sobre mim e sobre o mundo.
Há no entanto uma altura do ano que invariavelmente estou por Portugal e essa altura chegou.
Isto acontece por diversas razões.

E é aqui que eu bloqueio…
Quero dizer que Portugal é um país lindo. Se quero praias paradisíacas, passeios bucólicos, cidades históricas, festas, animação e bom tempo, é aqui…
E escrevo “bom tempo” e automaticamente sinto um aperto no estômago, como se estivesse a escrever uma incongruência, algo errado. Não consigo avançar. Não adianta.

Não tem a ver com o que possam pensar, tem a ver comigo. De repente apercebo-me que os incêndios que lavram este país e a desgraça que aconteceu esta semana teve um impacto em mim muito maior do que eu estava à espera.
Não conhecia directamente ninguém que tivesse falecido ou ficado sem os seus pertences e ainda assim dou por mim sistematicamente a emocionar-me quando me vem este assunto à cabeça.
Deixei de ver os telejornais. Enervam-me. Sou invadida por uma angústia, acompanhada de um sentimento de impotência e revolta, contra tudo e contra todos.

Tento seguir com a vida como habitualmente, como se não se tivesse passado nada.
E o pior é que é como se não fizesse sentido ser de outra maneira. Um absurdo!
E é então que regresso às minhas razões… ao que me faz prosseguir a minha vida e me prende aqui nesta altura do ano.

O meu irmão mais velho, que eu adoro, é casado com uma colombiana extraordinária, de personalidade forte, e tem dois filhos, lindos de morrer! Eles vivem em Bogotá e vêm a Portugal todos os anos por esta altura. É verdade, eu tenho família colombiana 😊

Estou com eles 1 mês e meio por ano.
A metáfora que me vem à cabeça (já referida a algumas pessoas) é que eles são para mim como chocolate.
Quem me conhece sabe que eu adoro chocolate. Julgo que não estarei a exagerar muito se disser que tenho uma adição. Quando viajo, levo sempre um ou dois comigo, só por via das dúvidas…
Pois imaginem que gostam de chocolate como eu e que só podem comer 1 mês e meio por ano!


Ao princípio “como” sofregamente, como se não houvesse amanhã, depois normalizo e até começo a “enjoar”. Mas sabendo que é só aquele período, então “como” mais um bocadinho… É que depois vêm os outros 10 meses e meio em que não se vai comer nem um quadradinho!

Dou por mim a estar com eles todos os dias, a tentar aproveitar tudo, ao princípio um pouco sofregamente. Quero beijos e abraços, fotos, o que der!
Ontem tive o bónus da Madalena (a minha afilhada mais velha, filha da minha irmã, a quem tenho um amor muito especial) e foi tão bom!

É…Esta altura do ano estou de "Tia". Vai ser assim até ao fim de Julho. Apesar de adorar e de às vezes me apetecer imenso, não há viagem que me tire daqui. Tenho razões fortíssimas para isso!


English version

I love travelling! I do it whenever I can. When I travel, I meet new people, new places, new cultures, new projects ... I learn a lot! About me and the world.
There is however a time of the year that invariably I am in Portugal and that time has arrived.
This happens for several reasons.

And here is where I get stuck ...
I want to say that Portugal is a beautiful country. If you want paradisiacal beaches, bucolic walks, historical cities, festivals, animation and good weather, it is here ...
And I write "good weather" and automatically feel a tightness in the stomach, as if I’m writing an incongruence, something wrong. I can not move forward. It's hopeless.

It's not about what you think, it’s about how I feel. Suddenly I realize that the fires that plough away this country and the disgrace that happened this week had an impact on me much greater than I was expecting.
I did not know anyone who had passed away or lost their belongings, and yet I systematically find myself emotional when this comes to my head.
I stopped watching the news. They vex me. I am invaded by anguish, accompanied by a feeling of powerlessness and revolt, against everything and against all.

I try to go on with life as usual, as if nothing had happened.
And the worst of it is that it's as if it does not make sense to be otherwise. It's absurd!
And then I return to my reasons ... to what makes me go on with my life and arrest me here at this time of year?

My older brother, whom I love, is married to an extraordinary Colombian lady, with a strong personality, and has two gorgeous children. They live in Bogota and come to Portugal every year at this time. It's true, I have Colombian family 😊

I am with them for a month and a half a year.
The metaphor that comes to my mind is that they are to me like chocolate.


Those who know me know that I love chocolate. I do not think I'm exaggerating much if I say I have an addition. When I travel, I always take one or two with me, just to make sure...
Well imagine that you like chocolate like I do and that you can only eat it 1 month and a half a year!

At the beginning, I "eat" grimly, as if there were no tomorrow, then I normalize and after I can even start to "get sick." But knowing that it is only that period, then I "eat" a little more ... It is because after comes the other 10 and a half months in which it isn’t possible to eat a little square!

Eventually I’m with them every day, trying to enjoy everything, at first a little bit grimly. I want kisses and hugs, pictures, whatever!
Yesterday I had the bonus of Madalena (my oldest goddaughter, daughter of my sister, to whom I have a very special love) and it was so good!

Yes ... This time of year I'm an aunt almost full time. It will be like this until the end of July. Although I love it and sometimes I feel like it, there is no trip that gets me out of here. I have very strong reasons for that! (reviewed by Maria João Venâncio)


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Portugal - Florescer / Linda-a-Velha - Jun 2017

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No âmbito do meu interesse por projetos que promovam a participação cívica, venho falar-vos da Florescer - Associação de Educação Global, uma organização sem fins lucrativos que nasceu em 2012, a partir de pessoas que não se reviam no ensino tradicional como sistema de aprendizagem para os seus filhos.



Fui ter com a Teresa Mendes, presidente da Florescer, ao jardim dos Aciprestes, em Linda-a-Velha.
Quando chego apercebo-me que está com mais duas senhoras, a começar a arrumar aquilo que suspeitei ter sido um piquenique. Um grupo de crianças brincava muito perto, de forma tranquila. Deixou-me no mesmo instante curiosa.
Apresentei-me e cumprimentei-as. Após uns breves momentos de organização entre elas, acompanhei a Teresa até um café ali perto.
A Teresa é uma mulher simpática, que transmite de imediato uma grande serenidade.

Explicou-me que apesar da sua formação de base ser a gestão, aquilo que a apaixona é a educação.
Com admiração, apercebo-me rapidamente que a serenidade inicial que transmite não é em nada incompatível com um forte dinamismo!
A minha interlocutora apresentava-se como co-fundadora de diferentes organizações, entre elas a Florescer.
Explicou-me que esta associação tem por missão trabalhar para o desenvolvimento integral de crianças e comunidades, para que assumam uma presença activa e responsável no mundo.
Fá-lo implementando e facilitando a implementação de uma educação global, convergindo as áreas da educação, ecologia, saúde cultura, tecnologia e solidariedade social.

À medida que a nossa conversa vai decorrendo, as palavras inovação e empreendedorismo surgem com frequência e, claramente a associação defende uma abordagem holística como estratégia para a promoção destes pilares.

A minha área não é a Educação, mas da minha visita ao Projeto Âncora (no Brasil) e tendo conhecimento da Escola da Ponte (em Santo Tirso), há já algum tempo que estou rendida a este tipo de abordagem. E sim, julgo que é difícil defender que o ensino tradicional promova propriamente a criatividade ou a pro-actividade das pessoas…



A Florescer desenvolve a sua actividade essencialmente em 3 vertentes:
- Educação Global – centrada na participação activa e global. Envolve as crianças e jovens e todos aqueles que fazem parte do seu mundo (famílias, professores, orientadores, voluntários, entre outros).
- Trans-Formação – visa apoiar e desenvolver acções inovadoras no âmbito da educação, tanto para docentes como para a comunidade (palestras, workshops, estágios, consultoria, etc.)
- Redes Comunitárias – a associação aposta no trabalho em rede e na partilha de práticas e de conhecimentos com outras organizações, tanto nacionais como internacionais.
De facto a associação faz parte da Rede Educação Viva – que coloca em contacto pessoas, grupos e projectos que defendem este tipo de educação. Por isso, se quiserem ver o que existe perto de vossa casa, é pesquisar.

Tive ainda a oportunidade de visitar as instalações da Florescer e verificar que, apesar de não ser um espaço muito grande, é muito agradável e as crianças estão muito tranquilas a desenvolver as suas actividades pacatamente. Por outras palavras, não é porque não estão sentadas a secretárias a olhar para quadro, que passam a estar aos gritos, não aprendem ou não respeitam os outros. Habituam-se é a pesquisar, ganham autonomia e responsabilidade.
É… aqui a educação vai ao encontro de cada criança e não o contrário.


English version

Under the scope of my interest in projects that promote civic participation, I would like to tell you about Florescer - Associação de Educação Global, a non-profit organization born in 2012, from people who did not revert to traditional teaching as a learning system for their children.

I went to meet Teresa Mendes, president of Florescer, at the garden of  Aciprestes, in Linda-a-Velha.
When I arrived I realized there were two more ladies, starting to sort out what I suspected was a picnic. A group of children quietly played very close by. I was immediately curious.
I introduced myself and greeted them. After taking a few moments for their organization, I accompanied Teresa to a nearby cafe.

Teresa is a nice lady, who immediately transmits great serenity.
She explained to me that although her basic education is management, what she is passionate about is education.
With admiration, I quickly realize that the initial serenity that she conveys is in no way incompatible with a strong dynamism!
My interlocutor presented herself as co-founder of different organizations, among them Florescer.
She explained to me that this organization has the mission of working for the integral development of both children and communities, so that they can take an active and responsible presence in the world.
It works by implementing and facilitating the implementation of a global education, converging the areas of education, ecology, health culture, technology and social solidarity.

As our conversation goes on, the words innovation and entrepreneurship come up frequently and clearly the association advocates a holistic approach as a strategy to promote these pillars.
My area is not Education, but my visit to Projeto Âncora (in Brazil) and knowing about Escola da Ponte (in Portugal, Santo Tirso), for already some time I have been surrendering to this type of approach. And yes, I think it is difficult to argue that traditional teaching promotes people's creativity or pro-activity ...

Florescer develops its activity essentially in three areas:
- Global Education - focused on active and global participation. It involves children and young people and all those who are part of their world (families, teachers, counselors, volunteers, among others).
- Trans-Training - aims to support and develop innovative actions in education, both for teachers and the community (lectures, workshops, internships, consultancy, etc.)
- Community Networks - the association bets on networking and sharing of practices and knowledge with other organizations, both national and international.

In fact, the association is part of Rede Educação Viva- which puts in contact people, groups and projects that advocate this type of education. Therefore, if you live in Portugal you can search for projects near your home.

I have also had the opportunity to visit the facilities of Florescer and to verify that, although it is not a very large space, it is very pleasant and the children are very calm to develop their activities peacefully. In other words, it is not because they are not sitting at secretaries looking at board that they are screaming, they do not learn or they do not respect others.
They get used to research, they gain autonomy and responsibility. Well ... here education goes to meet each child and not the other way around (reviewed by Ricardo Domingos).

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Espanha - Madrid with David - May 2017

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Iniciei o meu fim-de-semana em Madrid, quando me encontrei com o David, 6ª feira ao fim do dia, junto ao metro de Iglesia.
O David é um madrileno boa gente, inspirador pela forma como vive a vida, consciente da importância de a gozar até ao tutano. Comunicar com ele à distância não é muito fácil (não está ao serviço das telecomunicações) mas, presencialmente, é muito muito divertido. Detentor de um sentido de humor apurado e uma grande sensibilidade, não poderia estar melhor acompanhada 😊
Prometi-lhe não dizer bem de Madrid, mas não sei se consigo…



Em amena cavaqueira, o David foi me mostrando a sua cidade. Seguimos em direcção à Plaza Olavide, daí para a Plaza 2 de Mayo e palminhámos o Bairro de Malasaña.
A área é colorida, concentrando restaurantes, tabernas e esplanadas. As ruas e as praças estão repletas de gente (de todas as idades) e há uma energia vibrante no ar! 
Decidimos parar por aqui e comemos uns "pinchos", acompanhados de umas "cañas". O ambiente era de festa e temos mesmo que falar alto se nos queremos fazer ouvir!

Dali passando pela Gran Via, seguimos para Chueca, outro bairro muito animado, também ele repleto de bares. Tal como em Lisboa, Madrid tem diversos antigos mercados que passaram a ser importantes espaços de convívio. Pois nós acabámos a beber um copo de vinho no Mercado de San Antón e eu gostei imenso do lugar.

O David foi muito querido e no dia seguinte, apesar de adoentado, levou-me a conhecer a cidade. Madrid é quente à noite e muito quente de dia 😜

Fomos a um sítio extraordinário – o templo de Debod – um palácio oferecido pelo Egipto a Espanha, pela ajuda dada na construção de uma importante represa. Para mim, aquele lugar é mágico! Transmite muita tranquilidade. De lá podemos avistar a Casa do Campo e o Sul de Madrid. Foi aqui que acabei por comprar um anel que um artesão me fez naquela altura e, desde então, não o tiro.

Continuámos o nosso passeio e fizemos os jardins de Sabatini, passámos pelo Palácio de la Opera, as estátuas dos Reis Godos, a Calle de Ballen, a Plaza Mayor e a famosa cholocateria San Ginés. Pelo caminho, o David deu-me a provar palulú - uns pauzinhos que se mastigam doces, guloseimas das crianças na altura da guerra.

A cidade estava em ambiente de festa, já que era a final da Taça do Rei. As ruas estavam repletas de adeptos que cantavam e celebravam, umas boas horas antes do jogo.
Parámos no Mercado de San Miguel para comer umas tapas e depois seguimos em direcção à Catedral de la Almudena. Fiquei impressionada quando soube que só foi terminada recentemente, em 1993.
De lá passámos pelas antigas muralhas de Madrid e pelo Palácio Real.



Finalizámos o dia num longo passeio em Madrid Rio, uma zona que foi requalificada faz muito pouco tempo. Acredito que tenha implicado e continue a obrigar a um grande investimento por parte dos espanhóis, mas a área é muito bonita e a cidade ganhou um espaço de lazer muito interessante (com pelo menos 15 km).
Integra espaços ajardinados, restauração e não só! De facto, o meu lado infantil obrigou-me a andar de baloiço, de escorregas e a procurar equilibrar-me em estruturas de madeira 😉
Foi muito divertido e foi já muito tarde que chegámos a casa.
Assumo que estava a precisar de dormir.

No dia seguinte, depois de um pequeno-almoço tardio, ri-me às gargalhadas a tentar ajudar o meu anfitrião a colocar capas de almofadas num sofá.
Após as tarefas domésticas, o David continuou a nossa visita mostrando-me a zona de Atocha, o museu Rainha Sofia, a estação de comboio (que concentra o maior número de tartarugas que alguma vez vi na vida!) e por fim o sítio que mais gostei: o Parque de El Retiro.
Absolutamente maravilhoso, com os seus jardins, repleto de árvores, um lago gigante onde é possível andar de barco, o Palácio de Cristal, exposições de arte contemporânea, a feira do livro, enfim… adorei!


Ao regresso, passámos pela Iglesia de los Jerónimos e pelo Museu do Prado. Acabámos novamente na zona da Atocha a jantar num restaurante do Equador e comemos tão bem que quase fechava o destino da próxima viagem.

No dia seguinte esperava-me regressar a Lisboa. Era minha intenção ir ao Museu do Prado e seguir para o aeroporto, mas acordei com a notícia da perda de um tio muito querido e estava sem disposição. Despedi-me do David e resolvi desfrutar da beleza e tranquilidade do Jardim Botânico, segura de que não tardaria o meu regresso à capital espanhola.

English version

I felt that I started my weekend in Madrid when I met David, on Friday at the end of the day, next to the lglesia subway.
David is a nice Madrilenian guy, very inspiring for the way he lives life, aware of the importance of enjoying it to the marrow. It isn't easy to  communicate with him from a distance (he is not at the service of telecommunications), but in person he is so much fun! Possessing a keen sense of humor and a great sensitivity, he could not be a better companion 😊
I promised him not to speak well of Madrid, but I do not know if I can ...




While we were chatting, David was showing me his city. We went towards the Plaza Olavide, from there to Plaza 2 de Mayo and walked trough the neighborhood of Malasaña.

The area is colorful, concentrating restaurants, taverns and terraces. The streets and squares are packed with people (of all ages) and there is a vibrant energy in the air! We decided to stop here and ate a few “pinchos” with some “cañas”. The atmosphere was festive and we really have to speak loud if we want to make ourselves heard!
From there, passing by Gran Via, we went to Chueca, another very lively neighborhood, also full of bars. As in Lisbon, Madrid has several old markets that have become important social spaces. We ended up having a glass of wine at Mercado de San Antón and I really enjoyed the place.

David was very sweet and the next day, despite feeling kind of sick, he took me for a ride in the city.
Madrid is hot at night and very hot by day 😜



We went to an extraordinary site - the temple of Debod - a palace offered by Egypt to Spain, for the help given in the construction of an important dam. For me, that place is magical! It conveys great tranquility. From there we can see the Casa do Campo and the South of Madrid. It was there that I ended up buying a ring that a craftsman made me on the spot, and since then, I haven't taken it off.

We continued our walk and crossed the Sabatini Gardens, passed by the Palacio de la Opera, the Statues of the Kings Godos, the Calle de Ballen, the Plaza Mayor and the famous San Ginés cholocate shop. On the way, David gave me a taste of palulú - sweet chopsticks to chew, a children's treat from the time of the war.

The city was in a party atmosphere, since it was the final of the King's Cup. The streets were full of supporters who were already singing and celebrating, a few hours before the game.
We stopped at the Mercado de San Miguel to eat "tapas" and then headed towards the Almudena Cathedral. I was impressed when I knew that it had only recently been completed in 1993.
From there we passed the ancient walls of Madrid and the Royal Palace.

We finished the day on a long walk in Madrid Rio, an area that has recently been renovated. I believe it has required and continues to demand a large investment from the Spanish, but the area is very beautiful and the city has gained a very interesting leisure space (with at least 15 km).
It integrates landscaped spaces, restoration and more! In fact, my childish side forced me to go on a swing, to slide and to try to balance myself on wooden structures.😉
It was great fun and it was already very late when we got home.
I assume I needed to sleep.

The next day, after a late breakfast, I laughed out loud trying to help my host put pillowcases on a couch.
After the housework, David continued our visit showing me the Atocha area, the Queen Sofia museum, the train station (which concentrates the largest number of turtles I've ever seen in my life!). And finally the site that I liked the most: the Parque El Retiro.
Absolutely wonderful, with its gardens, full of trees, a giant lake where it is possible to go boating, the Crystal Palace, contemporary art exhibitions, the book fair… anyway, I loved it!



Upon our return, we passed the Jerónimos Church and the Prado Museum. We ended up again in the Atocha area to have dinner at a restaurant with food from Ecuador and we ate so well that I almost made the final decision on the destination for the next trip.


The next day I was expected to return to Lisbon. It was my intention to go to the Prado Museum and then go to the airport, but I woke up with the news of the loss of a very dear uncle and I had no disposition for that anymore. I said goodbye to David and decided to enjoy the beauty and tranquility of the Botanical Gardens, confident that I would soon return to the Spanish capital (reviewed by Graça Braga).

domingo, 4 de junho de 2017

Espanha - Madrid center / Fundación ABD / May 2017

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Tive a sorte de conseguir uma reunião com a Delegada da Fundación ABD em Madrid, na sequência de uma visita ao centro de apoio a famílias. Estava especialmente interessada no facto da organização apostar na área da inovação social e internacionalização e quis perceber melhor em que medida o faziam.

Encontrei-me com Laura Pinheiro, uma mulher dinâmica e muito simpática, na sede de um dos projectos, perto da estação de metro de Francos Rodríguez. 
A Laura deu-me um enquadramento da organização e explicou-me o investimento que tem sido feito no alargamento da abrangência do território onde intervêm. De facto, se a Fundación ABD surgiu em Barcelona, hoje está em Madrid, Castilla, Baleares e Andalucía. Actualmente o empenho na internacionalização é uma estratégia assumida e passa pelo o estabelecimento de parcerias e o desenvolvimento de projectos conjuntos com organizações de outros países, investigando e trocando conhecimentos.

Associado ainda com esta área está o investimento que é feito na inovação social, já que para a organização é fundamental actualizar, adaptar e melhorar as respostas às necessidades actuais e às que surjam. Assim promove uma estratégia transversal de reflexão, análise e ajuste da acção. 
Na minha opinião, um bocadinho diferente da cultura organizacional que vou, em regra geral, conhecendo, em que se quer é que os colaboradores trabalhem (actuem) e os espaços de reflexão conjunta são pouco ou nada valorizados… 

Deste investimento surgiram vários projectos como o da Energy Control (um programa de prevenção da toxicodependência em zonas de festa e lazer, que tem recebido o reconhecimento por parte da administração pública e por entidades internacionais) ou a criação de grupos multifamiliares aplicados ao contexto comunitário. A Laura ofereceu-me uma série de materiais do programa Energy Control e convidou-me a participar no grupo multifamiliar que iria acontecer ao final do dia, facilitado por ela e mais uns colegas. Fiquei encantada por me aperceber que esta senhora, ainda que assuma um papel estratégico na organização, continua a pôr a “mão na massa”, o que às vezes também não é fácil de acontecer…

Saí dali feliz e resolvi ir à procura de outro sítio de que me tinham falado – o Patio Maravillas. Segui até à zona do metro de Tribunal. Corri as ruas repletas de lojas, restaurantes e esplanadas pejadas de gente, muito cuidadas e bonitas. Estava entre a área da Universida e Justicia e fiquei encantada com a vida e a energia da cidade àquela hora. Apercebi-me mais tarde que a morada que tinha não era do projecto que procurava mas de um clube de canábis 😄


Segui caminho, insistindo na busca, e acabei por ir dar à Calle de Pez onde descobri que o projecto estava desactivado há 2 anos. Assim é a vida… Sob um calor seco, segui tranquilamente procurando apenas observar e explorar a cidade. 
Fui até à Plaza de São Domingo, percorri a Gran Via até à Plaza del Callao e dali, através da Calle Preciados, até à Puerta del Sol. Ao longo do meu passeio, notei o crescendo de turistas e a inacreditável concentração de centros comerciais. 
Na Puerta del Sol estava a decorrer uma manifestação contra a violência doméstica, que teve em mim um impacto forte. 

O meu amigo Yoni (um madrileno viajante, actualmente no Gana) tinha-me recomendado ir até Lavapiés, dica corroborada pelo meu anfitrião David. Segui pela Calle Carretas, palmilhei a zona da Plaza Tirso de Molina, toda a área de Embajadores, até à Plaza Lavapiés
Esta área despertou em mim muito mais interesse. Mal comparando, fez-me lembrar a zona do Martim Moniz. Lojas repletas de produtos da América Latina e Ásia, cabeleireiros africanos, comida árabe, uma miscelânea de cores e vida! Menos turistas, menos gente, mais presença policial mas, na minha opinião, uma área com um carácter muito mais marcado que a que tinha percorrido anteriormente. Adorei!


Resolvi descansar e parei numa cervejaria, onde conheci um casal do equador muito simpático, a viver em Madrid faz muitos anos. Fiquei à conversa com eles um bom bocado.
Eram perto das 18h e eu só me encontraria com o David pelas 20h e pouco. Decidi participar no grupo familiar e foi o melhor que fiz! Não só fiquei a perceber melhor a metodologia e a operacionalização da intervenção como a experiência, em termos pessoais, foi absolutamente fascinante! 😊
E foi com o coração cheio que fui ter com o David, que aguardava por mim junto ao metro de Iglesia. Esperava-nos uma noite bem divertida e estava a ter início um grande fim-de-semana!

English version

After a visit to Support Center for Families, I was lucky to get a meeting with the Fundación ABD  in Madrid. I was especially interested in the fact that the organization was also focused on social innovation and internationalization and I wanted to understand better how they do it.

I met Laura Pinheiro, a dynamic and very nice lady, at the headquarters of one of the projects, near the subway station of Francos Rodríguez.
Laura gave me a framework of the organization and explained the investment that it has been made in extending the scope of the territory where they intervene. In fact, if the Fundación ABD started in Barcelona, today it is in Madrid, Castilla, Baleares and Andalusia. 
Currently, the commitment for internationalization is an assumed strategy and involves the establishment of partnerships and the development of joint projects with organizations from other countries, investigating and exchanging knowledge.

Associated with this area is the investment that is made in social innovation, since for the organization it is fundamental to update, adapt and improve the responses to current and emerging needs. Thus it promotes a transversal strategy of reflection, analysis and adjustment of the action.
In my opinion, a little bit different from the organizational culture that I usually know, in which employees are supposed to work (act) and the spaces for joint reflection are little or nothing valued ...

Several projects have emerged from this investment, such as Energy Control (a program to prevent drug addiction in festive and leisure areas, which has received recognition from public authorities and international organizations) or the creation of multifamily groups applied to the community context. Laura offered me a pack of Energy Control materials and invited me to participate in the multifamily group that would happen later, at the end of the day. The group is facilitated by her and a few other colleagues. I was delighted to realize that this lady, although assuming a strategic role in the organization, continues to work as a technician, which sometimes is not easy to happen ...


I left happily and decided to go to another place that I heard about - the Patio Maravillas. I moved towards the Tribunal subway area. I ran the streets full of shops, restaurants and terraces packed with people, very neat and beautiful. It was between the area of Universida and Justicia and I was enchanted with the life and energy of the city at that time of the day. 
Later I realized that the address I had was not from the project I was looking for but from a cannabis club😄
I followed the path, insisting on searching for the place. I ended up going to Calle de Pez where I discovered that the project had been deactivated 2 years ago. Such is life ... In a dry heat, I quietly sought to observe and explore the city.

I went to the Plaza de San Domingo, I walked the Gran Via to the Plaza del Callao and from there, through Calle Preciados, to the Puerta del Sol. Throughout my tour, I noticed the increase in tourists and the incredible concentration of shopping centers.
In Puerta del Sol, a demonstration against domestic violence was taking place, which had a strong impact on me.


My friend Yoni (a traveling Madrilenian, currently in Ghana) had recommended me to go to Lavapiés, a tip corroborated by my host David. I followed Calle Carretas, I crossed the zone of the Plaza Tirso de Molina, all the area of Embajadores, up to the Plaza Lavapiés.
This area has risen much more interest in me. Barely comparing, it reminded me of the Martim Moniz  area ( (in Lisbon). Stores full of products from Latin America and Asia, African hairdressers, Arab food, a miscellany of colors and life! Fewer tourists, fewer people, more police presence but, in my opinion, an area with a much more marked character than the one that had gone before. Loved it! I decided to rest and stopped at a brewery, where I met a very nice couple from the Equator, living in Madrid many years ago. I talked to them a lot.

It was around 6:00 p.m. and I would only meet David around 8:00 p.m. I decided to take part in the family group and it was the best I did! Not only I got a better understanding of the methodology and the operationalization of the intervention, but the experience, in personal terms, was absolutely fascinating! 😊
And it was with a full heart that I went to catch up David, who was waiting for me by the Iglesia subway. A really fun night was expecting us and a great weekend was about to start! (reviewed by Graça Braga)


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Espanha - Madrid / Fundación ABD - May 2017

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Até há pouco tempo, Madrid não me despertava grande curiosidade. Estava habituada a ouvir que é uma cidade sem grande graça, a não ser para festas. Pouco mais do que, “boa para sair à noite”. Confesso que o facto de não ter mar de certo modo afastava-a das minhas prioridades.
No entanto (e ainda na sequência do Caminho de Santiago), surgiu a possibilidade de ir até lá, ter algumas reuniões e visitar um dos meus companheiros caminhantes, o David.


Voei na 5ª feira de manhã e cheguei ao meio-dia ao aeroporto de Barajas. Tinha uma reunião nessa tarde na sede da Fundacion Acción Bienestar y Desarrollo (ABD) e foi com tranquilidade que me informei como fazer para lá chegar.
Madrid é uma cidade muito grande mas é servida também por um metro gigante, actualmente com cerca de 12 linhas. Nem sei se são necessários autocarros, tal é o tamanho da rede!

Fui até à zona de Gregorio Marañon e dei por mim impressionada com o tamanho dos edifícios.
Escolhi um sítio para almoçar, procurando observar e perceber o que se passava ao meu redor. O movimento não era muito diferente dos dias de trabalho de Lisboa. As pessoas apressadas para comer. As que estavam sozinhas agarradas ao telemóvel ou a olhar no vazio e os empregados de mesa acelerados, sem parecer ter tempo para nada. Conscientemente, procurei fazer tudo mais devagar.


Depois do almoço, e sob um calor seco, resolvi ir até ao Museu Sorolla, antiga casa de família do pintor Joaquín Sorolla. A casa é lindíssima e fiquei maravilhada com as obras e peças que vi. Não é por acaso que é chamado o “Pintor da Luz”, a luz retratada nos seus quadros é verdadeiramente extasiante.

Dali fui até ao Centro de Apoio a Famílias gerido pela Fundación ABD , onde fui recebida pela directora, Sílvia Garrrigos. Esta organização surge nos anos 80, no campo do combate à toxicodependência. Actualmente, tem por missão a gestão de programas centrados nas pessoas e nas comunidades para promover e fortalecer a sua autonomia e a convivência com eficácia, ética, qualidade e sustentabilidade comprovada.
Durante duas horas e meia, tive a oportunidade de conhecer o espaço, perceber a sua história, como funcionam, que tipo de respostas dispõem e para onde pretendem seguir. Estes senhores têm programas que abrangem para além da área das drogas: a da pobreza e inclusão, a da infância, família e género, a da dependência e das pessoas idosas e a da deficiência cognitiva.
Fiquei surpreendida com a forma como estão organizados.


As ONG’s que desenvolvem trabalho na cidade, trabalham em estreita articulação com o Ayutamiento e a forma de funcionamento é muito particular, diferente da que eu conheço no contexto português. Achei muito interessante.
Agora o que me agradou mesmo e deixou fascinada, é que a fundação faz uma aposta assumida na inovação social e internacionalização, tendo sobretudo em consideração o envolvimento dos seus colaboradores, dos utentes e da comunidade, na discussão e desenvolvimento de novas respostas. Foi música para os meus ouvidos!

A Sílvia foi de uma amabilidade indescritível. Apresentou-me a Cláudia Ribeiro, uma psicóloga portuguesa muito simpática que se encontra a trabalhar também aqui, e agendou-me uma reunião para o dia seguinte com a Delegada da fundação em Madrid, que me poderia dar informações mais concretas sobre estas áreas.

A tarde já ia larga. Feliz com os conhecimentos adquiridos e as informações recolhidas, despedi-me e fui descontraidamente até a um bar perto do metro de Iglesia beber uma cerveja, antes de ir ter com o meu amigo à Plaza de España. Começava a sentir-me realmente embrenhada no espírito da cidade.

Encontrei-me com o David literalmente debaixo da estátua de D. Quixote e Sancho Pança, no centro da grandiosa praça.
É difícil explicar o prazer que me dá encontrar alguém que conheci numa viagem, num outro contexto… É como se transportasse com ela o tempo vivido.

Foi com um sentido abraço que nos cumprimentámos e arrancámos para a zona de Santo Domingo, para uma noite de “pinchos”, “cañas” e muita conversa 😊



English version

Until recently, Madrid did not arouse much curiosity in me. I was used to hear that it is a city without anything special, except for parties. Little more than: good to go out at night. I must confess that the fact that I did not have access to the sea there, somehow it removed Madrid from my priorities.
However (and still in the wake of the Camino de Santiago), I got the possibility of going there, to have some meetings and to visit one of my fellow walkers, David.

I flew on Thursday morning from Lisboa and arrived at noon at the Barajas’s airport. I had a meeting that afternoon at the headquarters of the Fundacion Acción Bienestar y Desarrollo (ABD) and it was easy enough to get there.
Madrid is a very large city but is also served by a giant subway, currently with about 12 lines. I do not even know if buses are really necessary, such is the size of the underground!

I went to the area of Gregorio Marañon and found myself struck by the size of the buildings.
I chose a place to have lunch, trying to observe and realize what was going on around me. The movement was not much different from the working days of Lisboa. People rushed to eat. Those who were alone stared at the phone or into the void and the waiters ran fast, with time for nothing. Consciously, I tried to do everything slowly.


After lunch, and under a dry heat, I decided to go to the Sorolla Museum, the old family home of the painter Joaquin Sorolla. The house is beautiful and I was amazed by the works and pieces I saw. It is not by chance that he is called the "Painter of Light", the light portrayed in his paintings is truly ecstatic.

From there I went to the Support Center for Families managed by Fundación ABD, where I was received by the directress, Sílvia Garrrigos.
This organization emerged in the 1980s in the field of drug addiction. Currently, its mission is the management of programs focused on people and communities to promote and strengthen their autonomy and coexistence with efficacy, ethics, quality and proven sustainability.
For two and a half hours, I had the opportunity to visit the space, to understand its history, how it works, what kind of answers it has and what kind of goals it pursues. Fundación ABD has programs that span beyond the area of drugs: poverty and inclusion, childhood, family and gender, dependency and the elderly, and intellectual disability. I was surprised how they are organized.

The NGOs that develop work in the city, work closely with the Ayutamiento and the way of working is very particular, different from the one I know in the Portuguese context. I found it very interesting.
But in fact, what really pleased and fascinated me, is that the foundation makes a clear commitment to social innovation and internationalization, taking into account the involvement of its employees, users and community, in the discussion and development of new answers. It was music to my ears!
Sílvia was indescribably kind. She introduced me to Cláudia Ribeiro, a very nice Portuguese psychologist who is also working there. She scheduled a meeting for the next day with the Foundation's Delegate in Madrid, who could give me more concrete information about what were they doing in these areas.


The afternoon was already long. I was very happy with the knowledge I acquired and the information I gathered. I said goodbye and went leisurely to a bar near the subway of Iglesia to drink a beer, before going to catch up my friend to the Plaza de España. I was beginning to really feel the spirit of the city.
I met David literally under the statue of Don Quixote and Sancho Panza, in the centre of the grandiose plaza.
It's hard to explain the pleasure it gives me to meet someone I've met on a trip, in another context ... It is as if that person carries that time with her/him.
It was with a heartfelt hug that we greeted each other and pulled off to the Santo Domingo area, for a night of "pinchos", "cañas" and lots of chat😊 (reviewed by Maria João Venâncio)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Portugal - Entrepreneurship School Lisbon - May 2017

For a English version, please scroll down

Cheguei há precisamente duas semanas do Caminho de Santiago, à data a transbordar de energia.
Literalmente cheguei com o sentimento de que a minha vida poderia ser o que eu quisesse. Não tinha que necessariamente caber em nenhuma caixinha e, sobretudo, nesta matéria não ajudava muito tomar decisões ou agir em função da probabilidade de resultados.

Se o que me faz feliz e dá prazer não é necessariamente o mesmo que à maioria das pessoas, não faz sentido pensar que tal não é possível acontecer só porque não é o habitual. Se calhar até pode ser exactamente o contrário…

Também cheguei com fé. Com a crença de que o que me acontece é o melhor para mim, mesmo que por vezes possa não parecer, e que tenho que aprender cada vez mais a valorizar os processos, mais que os resultados. Fazer porque aconteça mas atenta ao que vai acontecendo, ao que emerge. Como diz António Machado, “Caminante, no hay camino, se hace camino al andar”.


E a verdade é que não estava há 24h em Lisboa quando fui desafiada para apoiar a organização de um evento que decorreu a semana passada no Terreiro do Paço – Entrepreneurship School Lisbon 2017 .

Fui pesquisar e descobri que se trata de um programa que tem por objectivo fomentar o empreendedorismo, promovido pela ThinkYoung – uma organização sem fins lucrativos apostada em desenvolver acções que melhorem as condições dos jovens, promovam a sua participação e os valorize enquanto agentes de mudança.

Este programa tem decorrido em diferentes cidades e países, com temáticas diversas, partindo do pressuposto de que não há suficiente educação para o empreendedorismo na Europa e que o ensino universitário é demasiado teórico, com reduzido contacto com situações reais.

Apesar do evento em Lisboa estar mais focado nas novas tecnologias, fiquei interessada.
Não é segredo para ninguém que procuro conhecer o máximo possível de ferramentas e projectos que promovam a participação cívica das pessoas e que as faça sentir capazes de intervir activamente para a melhoria da vida delas e ou das comunidades onde vivem.

Na tarde do dia da mãe, fui a uma reunião de informação e preparação do evento e conheci a equipa com quem iria estar os 5 dias seguintes: Alex, Magda, Pia, Andrea, Luca, Iulia, Juan e Alexandra.
A coisa prometia já que me pareceram desde o início muito dinâmicos e boa onda 😉



E de facto não me enganei. Ao longo dessa semana tive a oportunidade de ver de perto o seu trabalho e apoiá-los na medida das minhas possibilidades. Dá gozo colaborar com pessoas que não trabalham apenas para cumprir objectivos, que verdadeiramente gostam e, neste caso, se divertem, com o que fazem.

Participaram cerca de 70 pessoas (sem contar com oradores e convidados): jovens adultos (da minha idade e mais novos 😜), muitos universitários ou recém-licenciados, muitos trabalhadores, alguns empreendedores já com ideias de negócio definidas, outros sem qualquer ideia.

O que é que me chamou mais a atenção?
A metodologia. Não é teórica, não faz recurso a livros, não decorre no formato de aula, promove o estabelecimento de relações, a troca de ideias e tem um lado lúdico.

São convidados empreendedores considerados de sucesso, que se disponibilizam a ser entrevistados e a falarem sobre a sua experiência em temas centrais tais como: a ideia de negócio, recursos, marketing, comunicação e networking e os insucessos.
São ainda colocados desafios diários aos participantes de forma a que possam transformar uma ideia de negócio num projecto concreto.

Por outras palavras, este programa aposta na aprendizagem e capacitação através do fazer, em detrimento dos estilos mais convencionais de ensino.

Fiquei entusiasmada com vários projectos/ ideias de negócio que surgiram e embora saiba de outras experiências, não consigo deixar de ficar encantada com o potencial criativo e inovador que se manifesta cada vez que se dá espaço ao livre debate e à reflexão, pondo de parte “pre-conceitos” de hierarquia, idade, experiência, entre outros. Gostei. Gostei muito!



English Version


I got back two weeks ago from the Camino of Santiago, with an overflowing feeling of energy.
I literally came with the feeling that my life could be whatever I wanted. It did not necessarily mean that I would have to fit into any box, and above all, in this matter it did not help much to make decisions or act on the probability of results.

If what makes me happy and gives me pleasure is not necessarily the same as with most people, it does not make sense to think that this cannot happen just because it is not the usual. Maybe even it can be just the opposite…

I have also arrived with faith. The belief that what happens to me is the best for me, even though sometimes it may not seem like it. I have to learn more and more to value processes, rather than results.
Do it in order for things to happen but attentive to what is happening, to what emerges. As António Machado says, "Walker, there is no road, there is road when walking."



And the truth is that I was in Lisbon for less than 24 hours when I was challenged to support the organization of an event that took place last week at Terreiro do Paço - Entrepreneurship School Lisbon 2017.

I went to research and discovered that this is a program which aims to foster entrepreneurship, promoted by ThinkYoung - a non-profit organization committed to developing actions that improve the conditions of young people, promote their participation and value them as agents of change.

This program has taken place in different cities and countries, with different themes, based on the assumption that there is not enough education for entrepreneurship in Europe and that university education is too theoretical, with little contact with real life situations.

Although the event in Lisbon was more focused on new technologies, I was interested in it.
It is no secret to anyone that I am someone who seeks to know as much as possible of tools and projects that promote civic participation of people. To make them feel able to actively intervene to improve their lives and/or the communities where they live.
On the afternoon of Mother's Day, I went to an information meeting and preparation for the event and met the team with whom I was going to be the next 5 days: Alex, Magda, Pia, Andrea, Luca, Iulia, Juan and Alexandra.
The thing promised to be good since as they seemed to me from the beginning that they were very dynamic and with a positive vibe😉

And in fact I was not mistaken. Throughout this week I had the opportunity to see them closely at work and to support them as much as possible. It is enjoyable to collaborate with people who do not work only to meet goals, that they truly like what they do and in this case, they were having fun.

About 70 people participated (not counting speakers and guests): young adults (my age and younger 😜), many university students or graduates, many workers, some entrepreneurs already with defined business ideas, others with no idea.

What caught my attention the most?
The methodology. It is not theoretical, does not make use of books, does not take place in the classroom format, promotes the establishment of relationships, the exchange of ideas and has a playful side

Successful entrepreneurs were invited to be interviewed and talk about their experience on central themes such as: business idea, resources, marketing, communication and networking and failures.
Daily challenges are also posed to the participants so that they can transform a business idea into a concrete project.



In other words, this program focuses on learning and empowerment through doing, instead of more conventional teaching styles.


I was enthusiastic about a number of projects / business ideas that have emerged and although I know from other experiences, I can’t help but to feel to enchanted by the creative and innovative potential that manifests itself every time there is room for free debate and reflection, waiving “pre-concepts "of hierarchy, age, experience, among others. I Liked it. I really liked it! (reviewed by Ricardo Domingos)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Espanha - Camino from Finisterra to Muxía - May 2017

For a English version, please scroll down

A minha chegada a Finisterra foi marcante.
É emocionante ver o Km 0, depois de uma série de dias a caminhar. Mas caminhar pode ser também viciante. Não é por acaso que conheci pessoas a andar há mais de 40 dias, ou a fazer o Caminho pela oitava vez.

Ao caminharmos traçamos e testamos limites e todos os dias nos apercebemos que os alcançamos (de uma forma ou de outra). Sentimos o tempo (para mim, o bem mais precioso que podemos ter), vivemos!
E sim, deve poder ser considerado uma técnica de mindfullness porque enquanto se caminha estamos com a paisagem e connosco, experimentamos cansaço, fome, sede, calor, frio, desalento, alegria … sei lá!
Não se veêm propriamente pessoas ao telemóvel ou angustiadas com algo que deveriam ter feito e não fizeram. Não. As pessoas estão ali para caminhar e seguir as setas amarelas.

Que alívio é não se ter de pensar para onde se está a ir, se o que estamos a fazer está bem ou mal feito, como é que os outros vão responder ao que estamos a fazer, ou qual o resultado!
O foco está no processo, em caminhar. E dei por mim a pensar que a vida deveria ser assim, mais tranquila e simples… Em vez de estar tão focada nos resultados, se calhar eu deveria estar mais atenta àquilo que está a acontecer, ao percurso.

Finisterra representa o fim do Caminho de Santiago mas existe mais uma etapa (aliás há quem a faça primeiro) - MuxíaResolvi ir até lá, mas já com o sentimento de “extra”, de um prolongar de um prazer sentido e um atrasar do regresso a casa.

Arranquei no dia seguinte com os meus companheiros Jorge e Dai, já a meio da manhã. Ninguém tinha pressa.
Apesar de muito bonito, poucos kms depois de termos saído de Finisterra, o caminho é marcado por um loooooonga subida, que por diversas vezes ansiei que terminasse, mas depois temos a possibilidade de decidir entre ir pelo caminho antigo ou pelo caminho da costa e foi pelo segundo que seguimos. Foi também nessa intercepção que conhecemos Kelly, uma alemã simpática, também ela a fazer o caminho Português.
Seguimos os quatro até Lires, quanto a mim um dos trajectos mais bonitos que tive a oportunidade de fazer.
Lires é uma povoação a cerca de 16 km de Finisterra, muito próxima de uma baía gigante, a meio caminho para Muxía. Avistei umas ondas bem formadas, que permitiriam a um surfista fazer esquerdas e direitas e fiquei com pena de não ter uma prancha comigo.
Foi aí que decidimos ficar a dormir nessa noite. Eu estava estoirada do dia anterior e o resto da rapaziada estava desejosa de ir para a praia.



Já na esplanada do Albergue "As Eiras" conheci a Cynthia, uma senhora canadiana que estava acompanhada pelo seu marido. E estou-lhe muito grata já que me proporcionou um momento “Ah-ah!”, verdadeiramente libertador. Pareceu percepcionar sem qualquer dificuldade o que os meus medos não me deixam frequentemente ver. Que a minha vida pode ser exactamente o que eu quiser que seja,  sem ter que integrar um estilo já definido e sem culpabilidades. Parece óbvio, mas não é… foi naquela altura que senti que estava na hora de regressar a casa.

O albergue onde estava, ainda que um pouco mais caro que os outros, oferecia muito boas condições e nessa noite jantámos todos, com mais uma rapariga italiana, saboreando um menu do peregrino bem servido, acompanhado do vinho da casa. A conversa incidiu espontaneamente no que tinha sido para nós esta experiência, julgo que em jeito de necessidade de fecho. Cada um tinha as suas razões para ter decidido fazer aquela jornada e não houve um único que não tenha adorado e pensado em repetir.

Estávamos nesta amena cavaqueira quando vejo chegar o Javier, o madrileno amigo do David e que nunca mais tinha visto desde Pontevedra. Fiz de imediato uma festa! Este senhor é um adepto fervoroso do Real de Madrid e ainda estava ofegante do "esticão" que tinha feito para chegar a tempo de ver o jogo da Liga dos Campeões. Acabei por aceder ao convite que me fez e assisti aos 3 golos do Cristiano Ronaldo, na  sua companhia e de um "alvarinho" 😊
Nessa noite estive ainda com o Tiago (o brasileiro que caminhava com um joelho em mau estado) e voltei a sentir uma alegria neste reencontro.


 De manhã, iniciei a minha última caminhada, aquela que me levaria a Muxía. Parti sozinha mas a meio do caminho apanhei o Dai e fiz a restante etapa com ele.
A chegada a Muxía é incrível, com uma extensa praia de areia branca, que se estende à nossa frente, limitada por colinas verdes (salpicadas de flores roxas e amarelas) e uma forte ondulação. Um pouco mais adiante, avistámos um pequeno recorte de areia, orientado a sul e água muito transparente. Aqui o mar era menos batido. Apesar da preocupação do Dai em apanhar o autocarro para Santiago, consegui convencê-lo a tomarmos um banho e foi o melhor que fizemos!
Quando saímos encontrámos o Javier, que estava também a chegar, e fomos até ao centro da Vila.
Disse adeus a Dai com um abraço e fui procurar sítio para ficar.
O restante dia, ainda que descontraído e bem-disposto, teve o mesmo tom de despedida, com direito a praia, a vinho branco de final de tarde, jantar e pôr-do-sol.

 Dizem que fazer o Caminho de Santiago representa a possibilidade de uma renovação da nossa vida. Os "especialistas" madrilenos David e Javier (corroborados por muitos outros peregrinos) disseram-me que é suposto simbolicamente queimar um pedaço de roupa quando chegamos a Finisterra. Abrir mão da antiga vida para começar uma nova. Quero crer nisso... a ver.


English Version

My arrival in Finisterre was remarkable. It's exciting to see Km 0, after a series of days walking. But walking can also be addictive.
No wonder I met people walking for more than 40 days, or doing the Camino for the eighth time.

As we walk we draw and test limits and every day we realize that we reach them (one way or the other). We feel the passage of time (for me, the most precious good we can have), we live!
And yes, it can be considered a technique of mindfullness because while we are walking we are with the landscape and with ourselves. We experience fatigue, hunger, thirst, heat, cold, discouragement, joy ... many things!
You don't exactly see people on the phone or anguished about something they should have done but they didn’t do. No. People are there to walk and simply follow the yellow arrows. 

What a relief it is not to have to think about where we are going, whether what we are doing is right or wrong, how will others respond to what we do or what will be the end result!
The focus is on the process, on walking.One foot in front od yhe other, step by step. And I found myself thinking life should be like this, more calm and simple ... Instead of being so focused on the results, maybe I should be more aware about what is happening as I go forward, to the route.

Finisterra represents the end of the Camino de Santiago but there is one more step (there are some people who do it first) - Muxía.
I decided to go there, but already with the feeling of doing the "extra" mile, a combination of both, a prolonged sense of pleasure and a delay of the homecoming.

I set off on my way the next day with my companions Jorge and Dai, already mid-morning. Nobody was in a hurry.
Although very beautiful, a few kilometers after we left Finisterre, the Camino is marked by a steep loooooong climb, which I have often wished it would end.  But then we have the possibility to choose between going by the old road or the coast path and it was for the second one that we decided to go. It was also in this interception that we met Kelly, a nice German girl who also did the Portuguese way.
We went together to Lires, for me one of the most beautiful routes I have had the opportunity to do.

Lires is a village about 16 km from Finisterre, very close to a giant bay, halfway to Muxía. I saw some well-formed waves that would allow a surfer to drop and cut lefts and rights and I felt sorry for not having a board with me.
That's where we decided to spend that night. I was very tired from the day before and the rest of the boys were eager to go to the beach.

Already on the terrace of the "As Eiras" hostel I met Cynthia, a Canadian lady who was accompanied by her husband. And I am very grateful to her for giving me an "Ah-ah!" moment, truly liberating. She seemed to perceive without difficulty what my fears do not often let me see. That my life can be exactly what I want it to be, without having to integrate an already defined style, without guilt. It sounds obvious, but it's not ... It was then that I felt it was time to go home.

The hostel where I was staying at, although a little more expensive than the others, offered very good conditions. That evening we all had dinner with another Italian girl, enjoying a well-served pilgrim menu accompanied by the house wine. The conversation spontaneously focused on what this experience had been for us. Each one had his own reasons for having decided to make that journey and there was not one who did not adore it and thought about repeating it.
We were having this nice chat when I saw Javier arrive, the Madrilenian friend of David and whom I had never seen again since Pontevedra. I immediately made a party! This gentleman is a fervent supporter of Real Madrid and was still panting from the stretch he had made to arrive in time to see the Champions League game. I ended up accepting the invitation and watched Cristiano Ronaldo's 3 goals against Atletico Madrid, in the first leg of the Champions League semi-final in his company   in his company and a glass of wine 😊
That night I was salso with Tiago (the Brazilian who walked with a bad knee) and I felt again a joy in this reunion.



In the morning, I started my last stretch, the one that would take me to Muxía. I left alone but halfway I picked up Dai and did the rest of the stage with him.
The arrival at Muxía is incredible, with an extensive white sandy beach stretching ahead of us, bordered by green hills (dotted with purple and yellow flowers) and a strong ripple. A little further down, we saw a small cut of sand, facing south and very transparent water. Here the sea was less beaten. Despite Dai's concern about taking the bus to Santiago, I managed to convince him to take a shower and it was the best we did!
When we left we found Javier, who was also arriving, and we went to the center of the village.
I bid Dai farewell  with a hug and went to find a place to stay.
The rest of the day, although relaxed and well-disposed, had the same tone of farewell, with the right to go to the beach, a glass of wine in the afternoon, dinner and sunset.
People say that making the Camino de Santiago represents the possibility of a renewal of our life. The Madrid "experts" David and Javier (corroborated by many other pilgrims) told me that it is supposed to burn a piece of clothing when we arrive in Finisterra. Let go the old life in order to start a new one. I want to believe in it ... let’s see (reviewed by Ricardo Domingos - Thank you so much!!)